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18/03/2010 - 15h15

Analistas digerem decisão do Copom e estimam alta de 50 pb na Selic em abril

SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou na reunião da última quarta-feira (17) pela quinta manutenção consecutiva da taxa Selic, que permanece no patamar de 8,75% ao ano, mínima histórica.

A decisão, tomada sem viés, veio em linha com a expectativa da maioria dos analistas, que projetavam aperto monetário só em abril. Contudo, ao contrário da última reunião, o dissenso predominou no comitê: cinco votos a favor da manutenção contra três pela elevação da taxa em 50 pontos-base.

Diante da inércia proposta pelo colegiado, Société Générale, LCA, Austin Rating, Citi e Barclays revelaram seus olhares, bem como traçaram o horizonte da política monetária brasileira, além de listar quais fatores o investidor deve se atentar.

Expectativas piores

“Os votos dissidentes apontam uma elevação do juro básico no próximo encontro do Copom”, discorre o Société Générale, que não prevê mudanças drásticas na atividade econômica doméstica, a qual está acima de seu potencial.

Além disso, os analistas ressaltam que há grande chance de piora nas expectativas do mercado, dados os fatores de risco no âmbito político, o qual poderá influenciar a próxima reunião, caso Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, opte por sair. "É possível que o comitê esteja completamente diferente até lá, com a saída de Meirelles e, possivelmente, de mais algum diretor". 

Elevação moderada

Para a LCA Consultores, a deterioração das expectativas inflacionárias constituiu o principal argumento dos votos favoráveis ao aperto monetário, dado que o IPCA se mantém acima da meta oficial.

Por outro lado, a acomodação recente dos indícios de inflação e as incertezas sobre a atividade econômica diante da presente (ou iminente) retirada dos estímulos providos durante a crise explicam, conforme a LCA, a opção pela inércia da Selic.

À frente, os analistas avaliam que um ciclo de elevação no juro básico brasileiro deve começar em abril, mas com “intensidade moderada”. A consultoria prevê alta de 250 pontos-base na Selic, dividida em cinco elevações consecutivas de 50 pontos-base.

À espera de sinais

A Austin Rating, por sua vez, acredita que o Copom elevará a Selic em 0,5 ponto percentual já na próxima reunião, porém projeta um juro básico próximo a 10,25% ao ano no fim de 2010, dando munição de 100 pontos-base para o colegiado, caso o aperto de abril se confirme.

A despeito da projeção, os analistas ponderam outro viés. “A autoridade monetária não alterou seu tom no statement divulgado, portanto, não sinalizando de forma efetiva que a elevação da taxa de básica ocorrerá já na próxima reunião, marcada para ocorrer no dia 28 de abril”.

Para uma melhor interpretação, a agência de classificação de risco destaca dois pontos para os investidores se atentarem: a ata da reunião de março do Copom, a ser divulgada no próximo dia 25; e a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, que ocorrerá no final deste mês.

Indícios subliminares de aperto

“Ao publicar um comunicado explicitando os votos dissidentes ao invés de elevar a Selic em 25 pontos-base, o comitê passa uma mensagem que dá suporte a nossa visão de que o ciclo de aperto monetário deva ser iniciado em abril, com um aumento de 50 pontos-base”. A afirmação é do Barclays e revela as projeções para o próximo encontro.

Quanto à inércia listada pelo colegiado, os analistas ressaltam que a decisão veio em linha com suas projeções e abaixo do consenso do mercado (em pesquisa da Bloomberg), que apontava alta de 50 pontos-base no juro básico. “Esperamos uma elevação total de 250 pontos-base, via doses moderadas de 50 pontos-base, levando a Selic para 11,25% ao ano”.

Mais adiante na análise, o banco londrino se alinha com a Austin Rating e pede atenção à ata da reunião e ao Relatório Trimestral de Inflação, os quais – junto com uma possível saída de Meirelles – são os principais fatores que devem exercer influência no próximo encontro.

Procura-se indicadores de refino

O Citi avalia que o comunicado do comitê foi sem tempero, ao não revelar qualquer pista sobre os meandros do debate que levou a dissidência nos votos. “O Copom monitorará de perto os desenvolvimentos até o próximo encontro, para decidir pelos próximos passos da política monetária”, afirmam os analistas.

Por fim, o banco norte-americano revela decepção com o colegiado, pois esperava um aumento de 50 pontos-base nesta reunião; e enfatiza a divulgação da ata do Copom e do Relatório Trimestral de Inflação no final do mês para “refinar suas projeções”.      

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