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18/03/2010 - 09h32

Para crescer, classe média precisa contar com inflação baixa, diz CNI

SÃO PAULO – Inflação baixa, crédito, carga tributária menor e desburocratização. Para o presidente da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), Armando Monteiro Neto, esses são os principais fatores para que a classe média continue crescendo, consumindo e estimulando a economia.

Durante debate realizado na última terça-feira (16), que analisou a atual classe média brasileira, Neto foi categórico em afirmar que, se a inflação baixa não for mantida, as conquistas e ganhos da nova classe média podem desaparecer.

Para ele, todas as conquistas obtidas por esse estrato social não são irreversíveis. Ele dá como exemplo a classe média argentina, que encolheu de 46% para 34% da população entre 1990 e 2004, período em que a economia do país não apresentava bons desempenhos.

De acordo com estudo da confederação, 400 milhões de pessoas pertencem à classe média em todo mundo e outras 2 bilhões vão se incorporar a ela até 2030. “Os resultados da pesquisa trazem lições para os governos”, disse Neto. “Uma delas é que, para impulsionar a classe média, é crucial manter a inflação baixa”.

Estimulando o círculo virtuoso

Segundo o presidente da CNI, outros fatores influenciam no desenvolvimento dessa parcela da população. A desburocratização dos processos para se abrir uma empresa e a queda da carga tributária são dois deles.

Isso porque, de acordo com Neto, o empreendedorismo está muito ligado à classe média. Mas para que esse fator estimule um círculo virtuoso – que inclui geração de emprego, renda, aumento do consumo, da produção –  é preciso desburocratizar as exigências legais e reduzir os encargos.

“Nas últimas duas décadas ocorreu uma forte expansão de negócios no Brasil, abrangendo novos empregadores, micro-empresários e trabalhadores por conta própria”, disse. Para ele, esses segmentos são carentes de crédito, conhecimento técnico e capacitação de gestão de negócios.

O investimento em educação também é visto por Neto como uma das vertentes para o crescimento da nova classe média e consequentemente do País. “A educação é vista como um dos processo fatores de ascensão social”, ressaltou.

No bojo da estabilidade

No encontro, especialistas discutiram o perfil da nova classe média do País. Eles concordam que a estabilidade econômica e o aumento do crédito estimularam o crescimento dessa parcela da população.

De acordo com o presidente da CNI, a classe C é mais aberta a mudanças, porém, é mais conservadora quando se vê em situações de riscos. Um perfil diferente daquele identificado há algumas décadas.

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