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19/03/2010 - 20h24

Analista avalia que momento do Ibovespa é propício para realização de lucros

SÃO PAULO – Um ditado popular diz que "quem não faz, toma" e é usado para descrever um time que ataca diversas vezes, mas não consegue fazer gols e acaba surpreendido pelo contra-ataque adversário.

A metáfora futebolística pode ser uma analogia ao comportamento do Ibovespa nas últimas duas semanas. O índice tentou por diversas vezes romper a barreira dos 70 mil pontos, não conseguiu, perdeu força e terminou a sessão desta sexta-feira (19) abaixo dos 69 mil pontos.

De lado ou em baixa?

Para Eduardo Machado, analista da corretora Amaril Franklin, a tendência dominante agora é de baixa. De acordo com a análise técnica, aponta, o mercado tende a cair mais e buscar o suporte dos 66 mil pontos. Além disso, a volatilidade deve ser marcante, em resposta a uma série de “ingredientes” que devem voltar à tona e contaminar o humor dos mercados na próxima semana.

Já para Rossano Oltramari, analista da XP Investimentos, a situação não é tão drástica. "O que ocorreu com o índice nessa semana foi um movimento de lateralização", com oscilação entre os 68.500 pontos e os 70.500 pontos no curto prazo (aproximadamente 30 dias).

Para a próxima semana, Oltramari acredita em manutenção desse intervalo, "e o que romper esses níveis de preço é que vai determinar a próxima tendência", avalia.

Preocupação ou passado?

As opiniões tão divergentes também apresentam-se no campo dos fatores que podem mexer com os mercados na próxima semana. Para Machado, o rating da dívida do Reino Unido, que foi posto em dúvida pela S&P e pela Fitch, duas agência de classificação de risco, influenciou bastante nas quedas registradas nos últimos pregões.

Além disso, a Grécia voltou a preocupar após a Alemanha indicar que o país deveria buscar ajuda no FMI (Fundo Monetário Internacional) para solucionar seu grave problema fiscal. No entanto, Oltramari acredita que o assunto "pode até gerar um barulhinho", mas é evento do passado e deve ser resolvido internamente pela União Europeia.

Petrobras

Em um ponto, ao menos, ambos os analistas estão de acordo: o balanço corporativo da Petrobras pode injetar ânimo nos mercados na próxima semana. "Podemos ver uma queda menos intensa se a Petrobras trouxer bons resultados, uma minimização do impacto dos eventos internacionais", aponta Eduardo Machado, da Amaril Franklin.

Com a inflação preocupando os investidores, a ata do Copom, domesticamente, é o evento mais relevante na agenda, acredita Rossano Oltramari, da XP. Nos Estados Unidos, a agenda "bastante carregada" traz a última revisão do PIB (Produto Interno Bruto), além de dados sobre consumo e confiança.

Já o analista da Amaril Franklin aponta que os incentivos fiscais, no Brasil, terminam no fim desse mês, e o temor de que as economias não vão conseguir se sustentar sem o auxílio governamental pode aumentar a pressão sobre o índice.

Movimento de realização?

Assim, para o investidor que está lucrando, Machado recomenda a realização de lucros e posterior aguardo da reversão da tendência baixista apresentada pelo Ibovespa. Mas para quem está perdendo, é melhor aguardar, sugere.

Oltramari aponta que trabalha com perspectivas positivas para o índice para o médio e longo prazo. Assim, se o Ibovespa realmente apresentar um movimento de queda um pouco mais forte, é uma abertura para a compra e o aumento do posicionamento em Bolsa, avalia.

No entanto, Oltramari acredita que só será possível falar em mercado em realização caso o índice perca os 68 mil pontos. Para ele, as quedas registradas nos últimos dias fazem parte da andança de lado, e servem para que o índice ganhe força a alcance um novo patamar. Já Eduardo Machado acredita que, "dificilmente", o índice passará agora dos 70 mil pontos.

IPOs

Em relação aos IPOs, cujo movimento ainda não se recuperou, Machado aponta como causa a aversão ao risco por parte dos investidores, o que acaba sendo mais acentuado em relação a empresas novas, sem histórico de negociações. A OSX, que reduziu o tamanho da sua oferta, por exemplo, é um caso emblemático, porque além de tudo é uma start-up, ou seja, ainda está em fase pré-operacional, "o que deixou o investidor receoso em alocar recursos na companhia", acredita.

“É um momento não muito feliz para o ingresso das empresas no mercado”, resumiu Eduardo Machado. Nesse ponto, ao menos, os dois não podem discordar, já que Rossano Oltramari não pode comentar IPOs.

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