UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

19/03/2010 - 13h30

Desafio do crédito imobiliário é buscar alternativas à poupança, diz Meirelles

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o crédito imobiliário no Brasil enfrenta o desafio de expandir sua fonte tradicional de financiamento, a poupança, por meio do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).

“No caso do SBPE, é muito importante repensarmos quais são outras fontes de financiamento para um continuado crescimento no Brasil”, disse Meirelles, durante pronunciamento na 2ª Conferência Internacional de Crédito Imobiliário, promovida pelo Banco Central.

O presidente do BC disse que a fonte de financiamento do crédito imobiliário era mandatória e direcionada no período em que os mercados não tinham capacidade para financiamento. “Mas hoje os mercados cresceram e eu acredito que vai ser importante essa discussão que está tomando lugar”.

Crescimento do mercado

De acordo com Meirelles, o desenvolvimento do crédito imobiliário no Brasil foi possível por alguns fatores, dentre eles a conquista da estabilidade macroeconômica, que trouxe previsibilidade.

“No momento em que há previsibilidade, o investidor pode assumir um risco de longo prazo e o tomador, por sua vez, também pode assumir um risco de longo prazo. O tomador tem de ter o mínimo de segurança de que ele continuará a ter rendimentos nos próximos anos para cumprir suas obrigações”.

Outro aspecto foi a estabilidade do mercado cambial, que deu ao Brasil a capacidade de cumprir seus compromissos externos, através da acumulação de reservas, que permitiu ao País ser um dos últimos a entrar na crise econômica e ser um dos primeiros a sair dela.

Meirelles disse que um terceiro fator que permitiu o crescimento do crédito imobiliário no Brasil foi o desenvolvimento do sistema financeiro que, segundo o presidente do Banco Central, é modelo em fóruns internacionais.

“O investidor começa a procurar um bom retorno e, para isso, prazos maiores. O tomador começa a ter a disponibilidade de tomar também em prazos maiores, na medida que tem maior confiança na manutenção do emprego”.

Papel do BC

Meirelles afirmou que, neste cenário, o BC está trabalhando nas questões providenciais, visando não criar mecanismos que vão gerar ou propiciar funding de longo prazo, uma vez que existem condições macroeconômicas para isso.

Para ele, o mercado, as instituições e os agentes devem estar em alerta sempre em relação ao crédito, principalmente em momentos de euforia, quando o horizonte indica a inexistência de risco e de problemas. Mesmo em momentos de crescimento, ele pediu que as normas sejam rigidamente seguidas.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host