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24/03/2010 - 16h26

Celular passou de meio de comunicação para forma de bancarização

SÃO PAULO – O celular surgiu como uma fonte de comunicação por voz e, logo depois, foi criada a possibilidade de comunicação por texto. Passado o tempo, ele começou a ser usado como fonte de entretenimento, por meio de jogos e músicas. Agora, ele surge como uma forma de disponibilizar aos clientes serviços que envolvem dinheiro.

Muito mais do que isso, de acordo com o consultor em mobile payment, Sérgio Goldstein, em todo o mundo, o celular tem sido usado como uma ferramenta que disponibiliza serviços bancários àqueles que não têm acesso a isso. “As grandes operadoras no mundo estão focando no público não bancarizado”, explicou.

Pelo Mundo

Um exemplo disso é a M-Pesa, operadora de celular que atua no Quênia. Com a baixa presença de bancos no país, ela passou a disponibilizar serviços de mobile banking. O resultado é que metade dos clientes da empresa, o correspondente a 18% da população, usa a ferramenta e movimenta um montante de US$ 1,6 bilhão.

“A gente pensa no mobile banking para a alta renda, como complementação de serviços. No Quênia, é para preencher esse vácuo”, explicou o gerente de rentabilização da Oi Paggo, Eduardo Neubern, sobre a falta de bancarização da população.

No Japão, Goldstein afirmou que a operadora líder – que detém 54 milhões de clientes e 50% de market share – tem 30 milhões de pessoas que usam o celular como forma de pagamento contact less, em que não é preciso colocar senha. Destas pessoas, apenas 10 milhões são proprietárias de cartão de crédito.

Para se ter uma ideia do potencial dos celulares como fonte de bancarização, existem no mundo cerca de 4 milhões de aparelhos, contra 1 bilhão de contas-correntes.

No Brasil

De acordo com Goldstein, no Brasil, o celular pode ser usado como fonte de bancarização, pois existe uma demanda por serviços como pagamentos sem cartão e dinheiro, movimentação de saldo de dinheiro e transferências.

“Por que existem brasileiros que não possuem conta-corrente? Não é nem pelo custo, porque há tarifas mínimas e serviço que nem é cobrado. Grande parte da restrição é pelas pessoas ficarem apreensivas de irem aos bancos e pela burocracia. O celular é o melhor instrumento para promover a bancarização”, disse.

A desbancarização no Brasil é tamanha que uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Fractal revelou que 92% dos entrevistados com renda individual inferior a R$ 800 por mês alegam não ter conta em banco.

Medo

O grande desafio, porém, é o medo das fraudes. Uma pesquisa feita pela Acision, em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre mostrou que 53% das pessoas não usam celular como cartão de crédito ou débito porque não acham seguro. Outras 15% acreditam que vai aumentar o roubo de celulares e 10%, porque não sabem se, em caso de furto, o bloqueio seria imediato.

“O serviço é totalmente seguro. Você não tem conta em banco, mas pode usar um serviço de banco. Mas existe um processo de educação da população”, afirmou o diretor de Vendas da Telepim, Dragos Regalie.

Já o presidente para a América Latina da Acision, Rafael Steinhauser, deu o exemplo do surgimento de outros tipos de tecnologia que envolviam dinheiro. “Há 15 anos, quando começou o uso do cartão de crédito, existia essa barreira do medo. Há cinco anos, quando começou o e-commerce, era a mesma coisa. Vamos ter de educar a população”.

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