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25/03/2010 - 15h10

Internet e TV: é assim que a Bolsa pretende elevar varejo para 5 milhões em 5 anos

SÃO PAULO – Tratado como um bicho de sete cabeças no Brasil, o mercado acionário tem aumentado a popularidade entre os investidores individuais do País nos últimos anos. E a tendência, no que depender da BM&F Bovespa, ganhará fôlego novo nos próximos anos.

Na quarta-feira (24), a Bolsa abriu as inscrições para seu desafio a estudantes do Ensino Médio, que neste ano traz uma novidade. Antes presencial e, portanto, direcionada apenas a escolas do estado de São Paulo, por meio de sorteio, agora a iniciativa englobará o Brasil inteiro através da Internet.

Junto com esse programa, diversos outros têm sido desenvolvidos pela instituição para elevar a participação do varejo. O diretor-presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, já ressaltou em mais de uma ocasião a meta de atingir a marca dos cinco milhões de investidores pessoas físicas em cinco anos. "O Brasil tem fundamentos de sobra para a gente atingir essa meta de crescimento", afirmou o executivo, durante conferência sobre os resultados de 2009.

Posição Mensal do número de Investidores Pessoa Física

Mês Contas de Investidores Pessoas Físicas
Fevereiro/2007 234.470
Fevereiro/2008 469.791
Fevereiro/2009 534.288
Fevereiro/2010 558.853
Fonte: BM&F Bovespa
Só para frisar o tamanho do desafio, no último balanço divulgado pela Bolsa, referente a fevereiro deste ano, o número de contas de investidores pessoa física no mercado de ações somava 558.853. Apesar da grande diferença entre a meta e a realidade, o patamar é digno de comemoração.

Em entrevista à InfoMoney, a gerente de popularização da BM&F Bovespa, Patrícia Quadros, festejou o fato de que, pela primeira vez durante uma crise, não houve fuga em massa de investidores individuais do mercado de ações. “Para nós foi uma coisa surpreendente. No auge da crise, as pessoas físicas se mantiveram no mercado”, diferente do que aconteceu em crises anteriores.

Ainda longe dos desenvolvidos

Mesmo com uma maior adesão do varejo ao mercado acionário, a parcela da população que possui investimentos em ações ainda é muito pequena se comparada à de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Reino Unido. A gerente da BM&F Bovespa explica que as economias são completamente diferentes, portanto é difícil fazer comparações. Porém, o trabalho está sendo feito no sentido de atingir o maior número de pessoas possível.

“Quem sabe, assim como nos Estados Unidos, quando a criança nascer ela ganhe uma carteira de ações para o seu futuro. A ideia é essa. O trabalho, para conseguirmos atingir esses números, é dar a informação, fazer com que a pessoa entenda o que é o mercado, pensar nele como formação de patrimônio”, explica Patrícia.

Estratégias

Há ainda um grande caminho a ser percorrido para que a BM&F Bovespa conquiste suas metas. E nesse sentido, quem mais atua é a educação financeira da população brasileira: é nos programas de disseminação dos mercados que a Bolsa aposta para atingir seus objetivos. O programa já foi apresentado como case de sucesso pela WFE (Federação Mundial das Bolsas de Valores, na sigla em inglês).

"Formação de cultura não

é algo que você consegue

fazer do dia para a noite"
Não à toa, esse tipo de iniciativa está ganhando espaço na agenda da instituição. Dados da Bolsa mostram que até fevereiro de 2010, mais de 1,6 milhão de pessoas já foram atingidas por algum tipo de ação educativa oferecida. E, de acordo com Patrícia, nas próximas semanas serão anunciadas novas iniciativas para a popularização do mercado acionário, a maioria concentrada no maior meio de comunicação de massa: a televisão.

“Estamos ampliando muito a nossa participação em TV. Já ampliamos o programa que temos com a TV Cultura, o Educação Financeira. Nesse ano vamos fazer 42 programas, no ano passado foram 20 programas. E viremos com muitas novidades relativas à TV”, comenta a gerente, acrescentando que “nesse próximo mês já vamos lançar alguma coisa para crianças”. Além das iniciativas na televisão, a Internet também é um alvo importante. Em breve, a BM&F Bovespa irá lançar mais simuladores, segundo Patrícia.

Histórico das iniciativas

Os programas, contudo, não são recentes. "Os programas de educação financeira da Bolsa foram iniciados em 2002. Naquele ano, o número de investidores no mercado acionário girava em torno de 85 mil. Atualmente, esse número é de aproximadamente 558.853 investidores, sendo que 72,46% são homens e 23,50% são mulheres. A maior parte deles concentra-se na faixa etária dos 26 aos 35 anos", explica a instituição.

Ações de Educação Financeira
Espaço BM&F BOVESPA

Centro de visitação, que funciona no antigo

pregão de viva-voz da ex-Bovespa, para explicar

os conceitos do mercado de capitais para o público.

Aberto de segunda a sábado, das 10h às 17h.

Até fevereiro o espaço BM&FBOVESPA recebeu

a visita de 14.970 pessoas.  

Educar

Cursos e palestras de Educação Financeira gratuitos,

adaptados a diferentes públicos: Júnior, de 11 a 14 anos;

Teen, de 15 a 18 anos; Master, universitários e adultos;

Família, membros adultos da família; Mulheres em Ação,

público feminino; e Sênior, terceira idade. Desde o lançamento,

em 2006, até hoje já foram atendidas mais de 124 mil pessoas

BM&F BOVESPA Vai até Você

O Programa de Palestras “BM&FBOVESPA Vai Até Você”

oferece a instituições a possibilidade de conhecer

a BM&FBOVESPA, os mercados de ações e futuros

e o Tesouro Direto, por meio de palestras direcionadas.

Com uma unidade móvel, os módulos do programa percorrem

o Brasil em eventos já tradicionais como:

“BM&FBOVESPA Vai Ao Campo”, “BM&FBOVESPA Vai a Praia”,

“BM&FBOVESPA Vai a Empresas”, entre outros públicos.

Mais de 565 mil pessoas atendidas desde 2002.

Tesouro Direto 

A seção conta com um curso online e uma

entrevista com o consultor financeiro Gustavo Cerbasi.

Até o momento, mais de 22 mil pessoas realizaram

os cursos online do Tesouro Direto no site da BM&FBOVESPA.

TV Educação Financeira

A BM&FBOVESPA mantém um programa de televisão,

em parceria com a TV Cultura, chamado "Educação Financeira".

Até fevereiro, a média de audiência domiciliar do programa

de TV, segundo o Ibope, foi de 75.433 residências.

Desafio BM&FBOVESPA

Competição sobre o mercado dirigida a estudantes do

ensino médio, das redes pública e privada de todo o Brasil.

Mais 8,5 mil pessoas envolvidas desde sua criação em 2006

Simuladores

A BM&FBOVESPA desenvolveu quatro simuladores a fim

de as pessoas físicas testarem seus conhecimentos nos

mercados da Bolsa. Dois de ações: Folhainvest e UOL Invest;

um de Mercados Futuros; e um do Tesouro Direto. Atualmente

os simuladores de ações contam com mais de 632 mil

usuários
e o de mercados futuros com mais de 49 mil.

Em fevereiro o simulador do Tesouro Direto recebeu mais

de 44 mil participantes.

Fonte: BM&F Bovespa
Um exemplo de projetos antigos é o BM&F Bovespa Vai Até Você que, conforme dados da Bolsa, já atendeu diretamente meio milhão de interessados no Brasil desde 2002. A novidade é que os estandes e unidades móveis que promovem palestras e esclarecimentos acerca do mercado de ações a públicos de diversos setores da economia e de diversas regiões do País estão sendo ampliados e atingindo um público com perfil cada vez mais diversificado – como o praieiro ou o rural.

O próprio Home Broker é visto como uma forma de elevar a participação de pessoas físicas no mercado acionário brasileiro. “Sem dúvida ela é uma ferramenta que vem contribuindo de forma substancial para o ingresso de investidores pessoa física no mercado, e esse movimento só tende a aumentar quando as novas gerações, já tão habituadas com a web, passarem a investir”, ressaltou o presidente da Bolsa, em entrevista recente à Invista Magazine.

Aumentar pessoas físicas: por que?

A iniciativa de elevar o nível de educação financeira da população brasileira é vista como uma ajuda ao País e à população brasileira, embora seja uma matéria de longo prazo. “Formação de cultura não é algo que você consegue fazer do dia para a noite. Nós estamos falando da poupança da pessoa. Então todo esse trabalho leva tempo. E os resultados nós vemos pelos números de crescimento da participação de pessoa física ao longo desses anos que temos trabalhado”.

Nesse sentido, a BM&F Bovespa optou por não focar em um único público-alvo: a ideia é incluir todas as faixas etárias, gêneros e perfis sociais. Patrícia explica que o principal trabalho é o de educação financeira. “Nós nos preocupamos em ajudar a pessoa a se organizar financeiramente não só a investir. O brasileiro, por causa da questão da inflação, não tem o hábito de montar sua planilha de orçamento pessoal, saber onde está gastando o dinheiro dele. Então trabalhamos desde essa questão de ajudar as pessoas. Por isso trabalhamos com todas as faixas etárias. Nós achamos que esse entendimento é importante para o País e para o crescimento da pessoa”.

Bom também para a Bolsa

Contudo, as iniciativas também atendem aos interesses da própria companhia. O aumento da participação dos investidores individuais é visto como um forte driver do crescimento das receitas da Bolsa. Segundo dados da instituição, a classe terminou 2009 tendo respondido por 30,54% da movimentação financeira no segmento Bovespa, de R$ 1,30 trilhão no total, bem acima do patamar de 2008, de 26,68%. Em fevereiro deste ano, esse percentual atingiu 32,05%, superando os volumes movimentados por investidores institucionais (28,95%) e estrangeiros (27,83%).

Pensando no crescimento da empresa, além do foco no mercado brasileiro, a BM&F Bovespa pretende elevar a participação de investidores individuais internacionais. “A grande estratégia da BM&F Bovespa nos próximos anos está no quesito pessoa física, uma estratégia que visa o varejo internacional, principalmente o asiático”, afirmou Edemir Pinto, no evento sobre os resultados de 2009.

Segundo o diretor-presidente da Bolsa, deve ser entregue no terceiro trimestre deste ano uma plataforma de negociação que seja amigável a investidores individuais internacionais, permitindo o investimento em papéis de companhias brasileiras e embutindo já o fechamento de câmbio.

É nesse sentido que a empresa segue efetuando acordos internacionais, como o recentemente realizado com o CME Group, de Chicago. “A ideia é entregar uma ferramenta de negociação que seja amigável a esses investidores, através de todos esses acordos que temos de roteamento de ordens”, ressaltou o executivo.

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