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25/03/2010 - 14h46

LCA e Rosenberg convergem olhares sobre ata do Copom e veem aperto iminente

SÃO PAULO – Na última reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve pela quinta vez consecutiva a taxa Selic na casa de 8,75% ao ano. Nesta quinta-feira (25), o colegiado divulgou a ata do encontro, na qual explica os porquês da inércia e das divergências entre os membros.

Em meio ao cenário, LCA e Rosenberg Consultores Associados publicaram relatórios sobre os meandros da ata, no qual avaliam o tom do discurso do Copom e delineiam a trajetória da política monetária brasileira.

Esperando para decidir ritmo

Para os analistas da LCA, “o documento não poderia ter sido mais claro quanto ao horizonte em que esse ajuste deverá ter início”. Nesse sentido, os analistas preveem cinco elevações consecutivas de 50 pontos-base na Selic, a começar já na próxima reunião de abril. Em decorrência, teria-se um juro básico a 11,25% ao ano no final de 2010.

A consultoria ressalta que, superadas as condições econômicas demandantes de estímulo, o BaCen deverá “conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia (...) e reforçar a ancoragem das expectativas de inflação”, conforme descrito na ata.

“Avaliamos que esse prazo para avaliação dos efeitos da retirada dos estímulos não seria utilizado pela autoridade para discutir a conveniência de um aumento de juros, mas sim para avaliar em qual ritmo esse aumento teria início – tema que promete ser central no debate econômico doméstico nas próximas semanas”, completa a LCA.

Consenso parcial

Já a Rosenberg Associados, em texto escrito por Thaís Marzola Zara, destaca o maior foco do comitê na recuperação da atividade econômica e nas preocupações em torno da inflação. Para a analista, a mudança mais contundente na ata foi a revelação do consenso quanto à necessidade do ajuste do juro básico, a qual não se concretizou na última reunião, mas é quase certa para a próxima.

Explicando o descompasso entre o consenso listado e a inércia, a consultoria observa que a maioria dos membros do Copom preferiu avaliar os efeitos do maior compulsório sobre o volume de crédito, além de suas repercussões sobre a economia, antes de começar o ciclo de aperto monetário.

“A ata não deixa dúvidas quanto à necessidade de um aumento na taxa de juros e indica que ela deve vir em abril, a menos que haja uma reversão abrupta das condições da economia, algo que está fora do radar no momento”, conclui Zara.

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