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26/03/2010 - 20h47

"Refém" da agenda externa, Ibovespa deve continuar a andar de lado

SÃO PAULO - "Refém" do cenário externo, na avaliação de Riltom Brum, diretor de Operações da Agiplan Invest, o Ibovespa mais uma vez ficou próximo da estabilidade nessa semana, apresentando leve desvalorização de 0,22% no acumulado dos últimos cinco pregões. A perspectiva, em sua avaliação, é de que o índice fique entre a estabilidade e a baixa na próxima semana, mais curta por causa do feriado de sexta-feira. 

Em linha com o raciocínio apresentado por Brum, Huang Kuo Seen, gestor de carteiras da Grau Gestão de Ativos, aponta para o confronto entre os indicadores econômicos nacionais, como a taxa de desemprego, que estão fortes, e os fatores negativos externos, em especial a crise da dívida fiscal na Europa.  Sem que nenhum dos dois fatores consiga ter predominância sobre o outro, o resultado é um índice caminhando, no jargão de mercado, de lado. 

Situação fiscal

Para Kuo Seen, o déficit fiscal ainda será assunto por um longo período de tempo. Embora a União Europeia tenha anunciado na quinta-feira (25) um plano de ajuda  para tentar solucionar a crise na Grécia, com provável participação do FMI (Fundo Monetário Internacional), o mercado não expressou grandes reações, porque, em parte, já havia levado em conta uma solução para o problema, que vinha sendo alardeado há algumas semanas.

Brum aponta um outro motivo: embora a resolução tenha sido tomada, não houve detalhamento das propostas fundamentalistas que serão adotadas pelo plano. "E, na dúvida, o mercado fica com receio". Além disso, Brum acredita que existe a percepção de que, talvez, a Grécia seja apenas o primeiro país a apresentar tais problemas.

Kuo Seen concorda. "A Grécia pode ser apenas a ponta do iceberg", ressalta. Embora a visão já esteja bem cautelosa, para a qual o rebaixamento do rating de Portugal só contribuiu, o mercado poderia sentir muito mais caso a situação fiscal na Itália ou na Espanha, economias bem maiores do que a grega e a portuguesa, chegasse ao ponto de necessitar um resgate.

"Aí, não sabemos até quando haverá a França e a Alemanha para ajudar o pessoal", destaca Brum, diretor da Agiplan Invest. E a única solução real para esse problema, destaca Kuo Seen, é corte de gastos ou crescimento robusto, "e não estamos vendo nenhuma das duas coisas". 

O otimismo pode decepcionar

Outro ponto de destaque, ainda na agenda externa, são os dados sobre o mercado de trabalho norte-americano, que serão divulgados na sexta-feira (2). Pela primeira vez desde dezembro de 2008, com uma única exceção em novembro do ano passado, o mercado espera que os Estados Unidos tenham presenciado aumento do número de postos de trabalho em março. 

No entanto, nem isso anima muito os analistas consultados pelo Portal InfoMoney. Para Kuo Seen, seria um dado positivo, mas é importante observar se os investidores já não precificaram essas projeções. Para Riltom Brum, a expectativa pode gerar um sentimento otimista e um dado abaixo do projetado pelo consenso de mercado pode decepcionar.

O que fazer, então?

Mas, então, o que poderia definir a situação do Ibovespa? Huang Kuo Seen sugere que uma combinação entre um pacote de ajuda na Europa e um Employment Report acima das expectativas pode injetar ânimo no mercado. No entanto, para o médio e longo prazo, o gestor de carteiras sugere que o investidor poupe agora para aproveitar o movimento de realização que ele vislumbra para daqui a alguns meses, "fruto de questionamentos sobre o vigor da recuperação". 

E o que fazer enquanto o Ibovespa anda de lado? Embora reticente, Brum aponta para setores cuja valorização supera a do índice recentemente, como o de siderurgia e o de mineração, e lembra que algumas empresas de setores importantes apresentaram quedas. O entendimento seria de que essas companhias que sofreram um pouco mais nesse período de alta volatilidade tenham um potencial de recuperação mais acentuado. Kuo Seen também sugere a troca de papéis, na  tentativa de aproveitar um Ibovespa que insiste em não se mover. 

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