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30/03/2010 - 10h53

JP Morgan: underweight no Brasil é questão tática ligada a ciclo de alta da Selic

SÃO PAULO – Depois de realizar uma série de reuniões com investidores, os analistas do JP Morgan expressaram suas estratégias de investimento para a América Latina. De maneira geral, apesar das boas perspectivas para a região, os analistas recomendam certa cautela.

“Poucos investidores parecem estar realmente otimistas, apesar de o consenso não estar especialmente defensivo”, afirmam Ben Laidler, Emy Cherman e Brian Chase, responsáveis pelo relatório. Além da inflação dos emergentes e as preocupações em relação à China, eles explicam que “há uma impressão de que a recuperação da macroeconomia global já atingiu seu pico e que os valuations na América Latina estão altos e não oferecem segurança em caso de baixa, na melhor das hipóteses”.

Os analistas, contudo, ainda veem a região com bons olhos, na esteira da recuperação da demanda dos desenvolvidos e aceleração do crescimento global.

Brasil: Selic dita o tom de cautela

De acordo com o banco norte-americano, a elevação da taxa básica de juro deve ditar o tom dos mercados, trazendo mais cautela em relação ao cenário doméstico. Os analistas apontam diversos pontos positivos no País: diversos setores domésticos – em especial as construtoras – estão bem apoiados por programas do governo e pelo crescimento do País, e não devem se prejudicar da alta da taxa básica de juro. Além disso, alguns investidores acreditam que a eleição presidencial será um processo benigno, já que o mercado já precificou a alta de juro e que os investidores globais já teriam saído do país se fossem fazê-lo.

“Não conseguimos discordar com veemência de nenhuma dessas afirmações, e vemos nossa posição de underweight no País como algo mais tático do que estrutural, na espera de maior visibilidade sobre o ciclo de alta da Selic e um avanço no ciclo político”, afirma o JP Morgan.

Mesmo assim, a relação risco/retorno não parece atraente ao banco atualmente. “Os valuations brasileiros estão acima da média dos emergentes, e devemos considerar também o precedente de ações domésticas mostrando um mau desempenho nos últimos ciclos de alta da Selic”.

Petro, Vale e Natura

Passando para uma avaliação das empresas brasileiras, os analistas expõem suas posições sobre as principais blue chips da região. Em relação à Petrobras, a análise é de que as ações são um “underweight perigoso”, já que o banco tem uma visão otimista em relação ao petróleo – a expectativa é que o barril WTI chegue a US$ 90 no final do quarto trimestre de 2010. “Além disso, os temores envolvendo a capitalização da empresa não devem se concretizar, e já estão precificados”, apontam.

Já a Vale recebe uma recomendação overweight, apoiada na expectativa de alta do preço do minério de ferro. “O movimento das commodities tem se mostrado determinante na decisão dos investidores em ficar neutro ou underweight no Brasil”, afirmam os analistas.

Os bens de consumo, por sua vez, são vistos como um investimento arriscado. “A maioria dos investidores concordou com nossa visão de que ter ações baseadas em expectativa de alto crescimento, altos múltiplos e alto beta no início de um ciclo de aperto monetário é arriscado, apesar das perspectivas em médio e longo prazo serem positivas”, afirmam os analistas. “Ações de empresas de saúde e de companhias como a Natura parecem se beneficiar dessa cautela, com menor exposição ao crescimento local”.

Em relação aos demais setores, energia se mostra “um pouco mais interessante” considerando o risco de alta da inflação, enquanto os bancos recebem uma avaliação mista – contrapondo o valuation, que parece caro considerando alguns múltiplos, mas barato quando considerados os ganhos.

Demais países

Os investidores reconhecem que o México tem mostrado uma performance acima da média do mercado em 2010, - o que trouxe dúvidas sobre quanto espaço ainda há para crescer. Os analistas do JP Morgan, contudo, acreditam que ainda há um bom potencial de valorização dos ativos do país, e indicam uma maior exposição aos setores cíclicos.

O Chile, por sua vez, é apontado como um dos países que pode estar retirando os investimentos brasileiros. “O Chile tem visto mais interesse do que o normal, considerando a diminuição de peso no portfólio brasileiro e o baixo valuation chileno”.

A Argentina continuou a atrair interesse devido ao potencial de upside em curto prazo e boas perspectivas no médio prazo. “Entretanto, continuamos cautelosos devido à falta de perspectivas sobre as eleições”, apontam.

A Colômbia, por sua vez, está sendo considerada cara por diversos investidores, devido à lentidão de sua recuperação. O Peru, por fim, se beneficia das boas perspectivas para as commodities – mas os analistas afirmam que preferem se expor a esse movimento de alta através de outros países.

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