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31/03/2010 - 17h25

Banco Central reconhece que juros podem subir com aumento no compulsório

SÃO PAULO – O Banco Central reconhece que o aumento no recolhimento compulsório dos bancos, que entra em vigor a partir dia 9 de abril, pode causar aumento nas taxas de juros praticadas pelo mercado.

O “compulsório” é o montante de recursos captados pelos bancos, que precisa ser obrigatoriamente repassado ao Banco Central, formando uma espécie de reserva. Durante a crise financeira, a alíquota foi reduzida a 13,5%, permitindo que os bancos tivessem maior liquidez, para não precisarem reduzir ou encarecer sua oferta de crédito.

Em fevereiro deste ano, no entanto, o Banco Central anunciou que iria reverter as medidas adotadas durante a crise e o compulsório voltaria à alíquota de 15%.

Alta nos juros

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, declarou nesta quarta-feira (31) que a alta nas taxas de juros é um dos possíveis efeitos do maior recolhimento.

“Essa medida foi focada em gestão de liquidez. O impacto na expansão do crédito vai depender dos bancos que foram afetados”, declarou Araújo, de acordo com a Agência Brasil.

Para ele, as consequências podem ser a elevação de taxas de juros ou a redução da oferta de crédito. No entanto, está mantida a expectativa de expansão de 20% nos financiamentos no País neste ano, afirmou Araújo.

Mantega nega

Após o anúncio feito em fevereiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a elevação dos depósitos compulsórios não afetaria o consumo no Brasil. Ele enfatizou que não faltará crédito ao consumidor, uma vez que há dinheiro no mercado e os bancos estão com carteira de crédito elevada.

“Agora, o crédito está normalizado, o volume de crédito é suficiente e até existe um excesso de liquidez. A medida é adequada e terá um efeito positivo na economia”, disse Mantega, na época.

Preocupação com a inflação

No entanto, para o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira, na prática, essa mudança diminui a quantidade de dinheiro que os bancos tem para emprestar. Obviamente, isso afeta diretamente o consumidor, que terá de lidar com taxas de juros mais caras e mais burocracia para conseguir crédito.

O especialista acredita que essa decisão foi tomada porque o Banco Central está preocupado com a inflação. "O BC deve ter analisado e visto que os bancos estão com bastante dinheiro para emprestar. Ele está tirando agora o que ele colocou durante a crise. É fato que o BC se preocupa com o consumo excessivo e muita oferta de crédito, porque isso pode elevar a inflação”, declarou Oliveira.

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