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01/04/2010 - 17h30

Retomada da economia suaviza queda no consumo por falta de estímulo

SÃO PAULO – O fim de incentivos fiscais deve desestimular o brasileiro a comprar, mas a retomada da economia vai suavizar essa queda no consumo, na avaliação de economistas.

De acordo com o professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Raffy Vartanian, os estímulos fiscais constituíram-se em fatores determinantes para evitar uma retração mais significativa do PIB (Produto Interno Bruto) durante a crise econômica, por isso, o período de retirada é considerado delicado, principalmente em decorrência da possível redução na produção.

“Com a redução do IPI, houve uma antecipação do consumo de automóveis, diante da expectativa de um aumento de preço. Com isso, o fim do estímulo deve provocar uma redução das vendas, acarretando momentaneamente incerteza quanto à recuperação da economia. Porém, no cenário mais provável, a queda poderá ser revertida com a retomada rápida do crescimento econômico”.

O governo havia reduzido o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de automóveis e móveis, para estimular o consumo em meio à crise, mas a alíquota anterior passa a vigorar a partir desta quinta-feira (1).

Antecipação da demanda

Já o economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), Robson Gonçalves, acredita em retração do consumo muito mais pelo efeito da antecipação da demanda do que devido ao fato de que o preço do produto ficará maior por conta da incidência do imposto. “Mesmo porque o preço não vai ficar tão mais caro”.

Ele também divide a opinião de que a queda no consumo será suavizada por um cenário econômico mais favorável, com disponibilidade de crédito e um nível de emprego maior do que há um ano.

Segundo ele explicou, depois de olhar a demanda, o governo agora tem de focar na capacidade produtiva. “O estímulo tem de ser redirecionado para bens de capital. Caso contrário, poderemos ter problemas de escassez de oferta. A infraestrutura no Brasil ainda está muito atrasada”, disse o economista.

Gonçalves afirmou ainda que existe uma discussão sobre o fato de as eleições prejudicarem as decisões econômicas neste ano. Para ele, isso não deve acontecer porque o caráter técnico sobressairá. “Medidas de demanda vão ser tomadas com questão técnica, para controle da inflação”.

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