UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

05/04/2010 - 17h22

Fundos de bonds mantêm bom desempenho e batem novo recorde, mostra EPFR

SÃO PAULO – O primeiro trimestre de 2010 trouxe algumas tendências para a indústria global de fundos. O fluxo para os fundos de ações emergentes diminuiu, enquanto os fundos de países desenvolvidos voltaram a parecer mais atraentes. Já os fundos de bonds continuaram a ganhar fôlego – prova disso é que, segundo a EPFR Global, que monitora o mercado global de fundos, os fundos de títulos de dívida globais captaram US$ 2,98 bilhões, um recorde.

Nos últimos 3 meses, foram batidos mais alguns recordes: fundos de bonds emergentes, fundos de bonds de alto yield e fundos de ações do Reino Unido registraram entradas líquidas recordes de capital em base semanal, com US$ 1,05 bilhão, US$ 1,19 bilhão e US$ 587 milhões, nessa ordem. Já os fundos money market, que investem em ativos de dívida de curto prazo, registraram saídas recordes de capital, com US$ 61,8 bilhões.

Renda Fixa

O primeiro trimestre se mostrou bastante positivo para os fundos de bonds, que seguem na preferência dos investidores.

Na semana terminada em 31 de março, em meio ao fim do programa de compra de ativos do Fed e dúvidas sobre a dívida grega, os fundos de bonds norte-americanos absorveram capital pela 65ª semana consecutiva, enquanto os fundos de bonds globais tiveram sua melhor semana desde que a EPFR iniciou seu monitoramento. Os fundos de bonds de alto yield e emergentes também tiveram uma boa semana.

“Nas últimas semanas, temos notado uma preferência por fundos de bonds globais com maior exposição à dívida corporativa europeia”, afirmou Brad Durham, diretor da EPFR. “Isso pode demonstrar uma mudança no comportamento do investidor, que pode estar trocando exposição à dívida soberana pela dívida corporativa”.

Fundos de ações

De acordo com a EPFR, os fundos de ações de emergentes tiveram um bom desempenho no trimestre em comparação com o mesmo período de 2009. Entretanto, quando a comparação é feita com o trimestre anterior, as entradas de capital estão US$ 30 bilhões menores.

“Os investidores estão dando outra chance para os mercados desenvolvidos, em especial EUA e Japão”, afirmou Cameron Brandt, analista sênior da consultoria. Os fluxos para os fundos de mercados desenvolvidos, apesar de ainda baixos no trimestre – US$ 3 bilhões – ficaram bem acima do resultado do primeiro trimestre de 2009, quando a categoria registrou saídas de capital de US$ 58 bilhões.

Fundos de Ações

(acompanhados semanalmente) 
Captação 1T10

(em US$ bilhões) 
Captação 1T09

(em US$ bilhões)
GEM (Global Emerging Markets) 3,748 4,467
Ásia (exceto Japão) 1,804 (889)
América Latina  136 985
EMEA (Oriente Médio, Leste Europeu, África) 1,886 (1,332)
Total dos fundos de mercados emergentes 7,576 3,231
EUA (5,706) (47,847)
Japão 3,084 (3,379)
Europa (4,543) (522)
Global 9,768 (7,167)
Pacífico 371 68
Total dos fundos de mercados desenvolvidos 2,974 (58,847)
Na semana terminada no dia 31, os fundos de ações japoneses captaram US$ 744 milhões. Já os fundos de ações norte-americanos marcaram sua 8ª semana consecutiva de fluxo positivo – o melhor rali desde 2004 -, em meio a dados macroeconômicos favoráveis da maior economia do mundo.

Por outro lado, os fundos europeus seguem registrando desempenhos ruins, marcando sua oitava semana consecutiva de captação negativa – o maior rali de perdas desde o último trimestre de 2008.

Emergentes

A última semana de março foi a 7ª consecutiva de fluxo positiva para os fundos de ações de mercados emergentes. Os fundos de ações russos, por exemplo, seguem se aproveitando do bom momento das commodities e da recuperação do país, marcando sua 7ª semana consecutiva de captações, enquanto os fundos de ações da América Latina encerraram a semana com entradas de capital de US$ 6 milhões.

Os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) seguem atraindo as atenções, apesar de o ritmo dos fluxos semanais dos fundos dos BRICs estarem bem abaixo do visto no ano anterior. No primeiro trimestre, os fundos de ações brasileiros captaram US$ 428 milhões  bastante abaixo dos fundos russos, que fecharam o período com entradas de capital de US$ 1,33 bilhão, ou dos fundos de ações da grande China (que incluem China, Taiwan e Hong Kong), que tiveram fluxo positivo de US$ 1,18 bilhão. 

Já os fundos chineses seguem com um mau desempenho no ano, prejudicados pela percepção dos investidores de que os valuations estão altos e temores acerca das medidas do governo para impedir uma bolha nos ativos. Os fundos de ações chineses tiveram fluxo positivo de capital na última semana pela terceira vez no ano, mas encerraram o trimestre com saídas de capital de US$ 1,206 bilhão.

Setores

Os fundos de commodities se beneficiaram do noticiário acerca dos preços do minério de ferro e registraram a 4ª semana em cinco semanas de fluxos positivos. Apesar disso, as entradas de capital seguem bem abaixo do visto em 2009.

Os fundos do setor financeiro também atraíram as atenções na última semana, com entradas de capital de US$ 64 milhões em meio a notícias de reestruturação de bancos. Os fundos do setor de saúde, que também passa por regulação nos EUA, registraram fluxo negativo na semana terminada no dia 31.

Apesar do resultado negativo na última semana do trimestre, os fundos de bens de consumo tiveram o melhor desempenho nos 3 primeiros meses de 2010.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host