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06/04/2010 - 16h45

Aumento da renda da população sustenta tarifas do transporte, revela Ipea

SÃO PAULO – O aumento da renda e do nível de emprego no País é um dos fatores que sustentam o aumento acima da inflação dos preços das tarifas de ônibus urbanos. Não fosse a melhoria das condições de vida da população, o transporte público estaria em uma crise sem precedentes.

A análise é dos pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que divulgou, nesta terça-feira (6), o Boletim Regional Urbano. De acordo com o estudo, entre 1995 e 2003, o aumento real das tarifas e a queda do poder de compra do salário mínimo fizeram com que a capacidade de pagamento da população caísse.

Porém, a partir de 2003, o trabalhador retoma seu poder de compra e ocorre um aumento da renda. Com isso, os efeitos da elevação das tarifas se diluem. E a queda do número de passageiros cessa.

Crescimento do salário mínimo

A pesquisa mostra que o crescimento real do salário mínimo supera o crescimento real das tarifas desde 2004. Os pesquisadores constataram que, a partir daquele ano, um salário mínimo comprava um número cada vez maior de passagens.

Os pesquisadores identificaram que o mesmo ocorre com relação ao orçamento dos 40% mais pobre. A renda média domiciliar per capita desse segmento da população também arca com um número cada vez maior de passagens de transporte público.

Alternativas

Apesar do aumento da capacidade de pagamento da população, o Boletim mostra que nem todos têm acesso ao transporte público concedido como benefício pela empresa onde trabalham. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 42% da população economicamente ativa tem carteira assinada.

Para os que não trabalham segundo as regras trabalhistas, o valor da tarifa pesa no bolso. “Nesses casos, o alto valor da tarifa de ônibus urbano costuma se coloca como mais uma barreira na sustentação do nível de demanda do transporte público urbano”, afirmaram, no estudo, os pesquisadores Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho e Rafael Henrique Moraes Pereira

Diante dos limites de renda, esse segmento da população acaba buscando alternativas de transporte, como bicicletas e motos. Em número menor, há aqueles que recorrem ao transporte individual.

Redução tarifária

Para os pesquisadores, se houvesse uma política de redução tarifária, “o transporte público poderia entrar em um círculo virtuoso, com um aumento forte de demanda, melhorando as condições de mobilidade urbana nos grandes centros”.

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