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06/04/2010 - 14h43

Bancos estrangeiros atuando no Brasil trouxeram pouca melhoria nos serviços

SÃO PAULO – Ao contrário do que se poderia supor, a vinda dos bancos estrangeiros ao Brasil, iniciada na década de 1990, não trouxe a concorrência necessária para estimular a maior qualidade de serviços e queda nas tarifas cobradas.

A autora do livro “A evolução recente do setor bancário”, Patrícia Camargo, explica que, quando os bancos estrangeiros vieram para o País, eles adotaram a mesma postura conservadora dos bancos nacionais e, por isso, não houve mudança significativa no cenário bancário brasileiro. “Da mesma forma que os bancos nacionais, os estrangeiros concentraram seus ativos em títulos públicos, que eram mais lucrativos e apresentavam menores riscos”, afirma a autora.

Na obra lançada pela Cultura Acadêmica, selo da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), Patrícia analisa o sistema bancário brasileiro conforme o tipo de controle: público, privado nacional ou privado estrangeiro.

Qualidade dos serviços

Apesar do pouco impacto no cenário, a pesquisadora aponta um avanço significativo na qualidade dos serviços oferecidos pelos bancos no Brasil. “Acredito que ainda pode melhorar muito, mas houve avanço principalmente na ampliação das formas de atendimento, com grande parte das transações podendo ser feitas por meio do internet banking”, declarou.

Os investimentos em parcerias com estabelecimentos comerciais – os chamados correspondentes bancários - e parcerias com redes varejistas também foram passos positivos. “Em 2006, por exemplo, somente 10,4% das transações foram efetuadas nas agências” destacou.

Outras melhorias lembradas por Patrícia foram a segmentação dos clientes e a ampliação da oferta, em grande parte pelos bancos públicos, de produtos e serviços destinados à população de menor renda. “Como disse, apesar desses avanços, ainda há muito o que melhorar, especialmente em relação às altas tarifas cobradas por esses serviços”, acrescentou.

Spread

Patrícia reconhece que os spreads bancários - diferença entre os juros cobrados nos empréstimos à pessoa física e aqueles pagos nas aplicações financeiras, de onde advém boa parte do lucro dos bancos - praticados no Brasil estão entre os mais altos do mundo. A justificativa dos bancos é que o risco de inadimplência ainda é alto.

“A inadimplência é o principal componente do spread, com participação de 37,4%. Entretanto, a parcela referente ao spread destina-se a cobrir perdas ainda não realizadas, uma vez que se trata apenas de uma projeção do risco de perdas nas novas operações”, declarou Patrícia.

Em seus estudos, a autora verificou que, apesar da expansão do crédito no País, os índices de inadimplência dos bancos analisados têm se mantido em níveis baixos. “Ou seja, esse elevado percentual que os bancos destinam para cobrir a inadimplência pode ser questionado e realmente está sendo: pela sociedade e também pelo governo”, concluiu Patrícia, lembrando que, apesar de termos uma forte resistência, há uma tendência de queda lenta dos spreads, como vem acontecendo desde 2003.

Para escrever o livro, a autora selecionou as oito maiores instituições por valor de ativos: Banco Central, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Unibanco, ABN – Amro, Santander e HSBC, no período de 1998, após a entrada dos bancos estrangeiros no Brasil, até o primeiro semestre de 2008.

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