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06/04/2010 - 16h56

Poupança do brasileiro cresceu 70% em 2009, ano de incentivo ao consumo

SÃO PAULO – Em 2009, ano de crise, o governo lançou mão de medidas de estímulo ao consumo, a exemplo da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos automóveis e eletrodomésticos, o que fez com que os brasileiros fossem às compras. Porém, o que se notou foi que a população também poupou e aplicou mais no ano passado, com crescimento de 70%.

De acordo com o diretor-geral da Cetelem, financeira do Grupo BNP Paribas, Marcos Etchegoyen, isso aconteceu porque o brasileiro aproveitou os incentivos fiscais e o avanço do crédito para comprar a prazo, enquanto economizava dinheiro a cada mês.

“Em 2009, nós estávamos até abril e maio em um período de crise, e isso mostrou ao brasileiro que existe a necessidade de poupança para algum imprevisto. Isso contribuiu para uma conscientização”, afirmou, durante a apresentação nesta terça-feira (6) do estudo O Observador, que mede a mobilidade social, renda e outros aspectos entre os brasileiros.

Gasto x investimento

Os gastos totais das famílias em 2009 declarados pelos participantes da pesquisa foram de R$ 1.066,25, enquanto que, no ano anterior, haviam sido de R$ 970,13.

Porém, ao mesmo tempo em que houve aumento dos gastos, por conta dos incentivos fiscais, também houve crescimento do volume de dinheiro destinado à poupança e às aplicações financeiras: foram R$ 535,31 em 2009, montante 70% superior aos R$ 314,64 registrados um ano antes.

Segundo Etchegoyen, muito mais do que poupar, o brasileiro tem hoje investido o seu dinheiro. “Nós vínhamos no Brasil de uma cultura inflacionária, que não nos permitia deixar o dinheiro um dia sequer no banco. Então, o brasileiro realmente investe, ele põe o dinheiro em algum instrumento financeira que vai dar rentabilidade”.

O fato é que os brasileiros investem ainda em modalidades conservadoras, o que muda de acordo com a faixa de renda. “Muda porque, quanto mais sofisticado o consumidor ou o poupador é, mais ele se aventura ou planeja mais a longo prazo e, assim, coloca um componente de renda variável, que é um componente que dá mais rentabilidade no longo prazo”, explicou o diretor-geral.

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