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08/04/2010 - 14h21

Alta da Selic prejudica crédito imobiliário com recursos da poupança

SÃO PAULO – A alta da Selic pode prejudicar o direcionamento de recursos da poupança para o crédito imobiliário, mas outras fontes darão conta desta lacuna no mercado. A opinião é do gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi.

“A gente deve entrar em um ciclo de aperto monetário. O Banco Central começará a subir os juros muito provavelmente agora a partir de abril, então, os fundos de investimento vão ganhar atratividade perante a poupança e há, sim, o risco de ter essa migração, o que diminuiria o capital disponível para aplicação nessas operações [de crédito imobiliário]”, explicou.

Em março, a captação líquida da poupança – depósitos menos saques - caiu à metade, para R$ 538,1 milhões, enquanto seus competidores diretos, os fundos de renda fixa, registraram captação positiva de R$ 5,5 milhões em um mês terminado em 6 de abril.

“Com a expectativa de aumento do juro, os novos aplicadores estão indo mais para os fundos de renda fixa do que para a poupança, principalmente para as aplicações pós-fixadas”, disse o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, que acredita que isso não deve prejudicar, ao menos no curto prazo, o equilíbrio das contas da poupança nem os financiamentos imobiliários.

Uso do FGTS

Além da poupança, que é obrigada a destinar parte de seus recursos para financiamento imobiliário, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) também pode ser usado para a aquisição da casa própria e, em relação a esta fonte, Rabi afirmou que não existem riscos.

“Em relação ao FGTS, ele acompanha muito a questão do mercado de trabalho formal. Se ele está em expansão, o saldo do FGTS cresce, e o mercado de trabalho está crescendo. Então, não vejo esse risco de esgotamento de recursos do fundo de garantia”, afirmou.

Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostraram que, somente em fevereiro, foram gerados mais de 209 mil empregos no Brasil, novo recorde histórico e 52% maior do que a média dos melhores registros para o mês.

Recursos livres

Muito além de recursos direcionados, Rabi afirmou que os bancos têm usado cada vez mais recursos livres para aplicação no setor imobiliário, que cresceu quase 47% em 12 meses, no caso das instituições privadas, para R$ 96,759 milhões em fevereiro deste ano.

“Além disso, nós temos observado que várias empresas do segmento imobiliário também abriram seu capital, fizeram emissão de ações para adquirir mais recursos e há, com o fim da crise, um interesse internacional de ingresso de capitais externos neste segmento. No geral, não vejo risco de esgotamento como um todo para o setor imobiliário”, concluiu.

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