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09/04/2010 - 16h51

Investidores apontam como certa alta da Selic na próxima reunião do Copom

SÃO PAULO - Durante o mês de março, o debate sobre a atitude do Copom em relação à política monetária acirrou-se, já que a inflação começou a pressionar e a expectativa para o IPCA em 2010 era elevada semanalmente, de acordo com o relatório Focus.

Para o Itaú Unibanco, por exemplo, a inflação seria decisiva, já que naquela altura a perspectiva para o IPCA já estava acima do centro da meta (atualmente, a projeção para 2010 é de 5,18%). Por outro lado, o Bank of America, por exemplo, apostou na conservação da taxa e acertou. 

No dia 17 de março, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou sua decisão de manter a Selic em 8,75% ao ano, embora a votação não tenha sido consensual, com cinco votos favoráveis à decisão e três membros pedindo um reajuste da taxa para 9,25% ao ano. 

Avaliação

Para a próxima reunião, é consenso no mercado que a autoridade monetária irá optar por elevar a taxa básica de juros do país em 50 pontos-base e dar início ao ciclo de aperto monetário, após uma política bastante acomodativa para conter os efeitos da crise no Brasil. O relatório Focus, que traz a mediana das estimativas do mercado, aponta nesse sentido. 

Os leitores do Portal InfoMoney que responderam à pergunta "Considerando a última decisão do Copom, qual a probabilidade de alta da Selic na próxima reunião?" posicionaram-se de maneira análoga, já que mais de 60% dos entrevistados veem 80% ou mais de chance de o Copom aumentar os juros no final de abril. Vale ressaltar também que 40% dos 2.690 leitores que responderam à avaliação tem certeza sobre o aumento da Selic. 

Por outro lado, foi possível constatar que cerca de 8% dos entrevistados acham que o Copom não irá optar pelo início do ciclo de aperto monetário nessa próxima reunião, e cerca de 9% ficaram divididos, votando em 50% de probabilidade de aumento da Selic. 

Inevitável

Por um lado, a maioria dos analistas aponta para uma alta inevitável dos juros na próxima reunião, dado o "descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia", como a própria ata da reunião salientou.

Para a LCA, por exemplo, o documento "não poderia ter sido mais claro quanto ao horizonte em que esse ajuste deverá ter início", afirmou a consultoria em relatório. Por isso, os analistas preveem cinco elevações consecutivas de 50 pontos-base na Selic, a começar no dia 28 de abril.

Outro ponto bastante destacado na ata é o trecho que afirma ter havido consenso entre os membros do Comitê "quanto à necessidade de se implementar um ajuste na taxa básica de juros". 

Para Thaís Zara, da Rosenberg & Associados, a única possibilidade para uma mudança nessa projeção seria uma reversão abrupta das condições atuais da economia, "algo que está fora do radar no momento", conclui.

Apostas

O Relatório da Inflação, divulgado no final do último mês também ajuda a balisar essas apostas. De acordo com o documento trimestral divulgado pelo Banco Central, a inflação medida pelo IPCA deve ficar acima da meta de 4,5% ao ano, alcançando ao final de 2010 5,2%. Para o Santander, esse é um dos motivos catalisadores de sua revisão da decisão do Copom.


Em relatório divulgado nesta quarta-feira (7), o banco disse acreditar em uma elevação mais agressiva de juros pelo Banco Central, em 0,75 ponto percentual, avaliando ainda as expectativas para inflação em 2010 e 2011, que devem continuar subindo. 

Por outro lado, o Santander não alterou sua visão de aumento de 325 pontos-base em 2010, o que deixaria a Selic em 12% ano ano. Contudo, o banco acredita que o BC irá atingir essa taxa mais cedo, na reunião de dezembro.  

Confira o resultado da avaliação:

Considerando a última decisão do Copom,

qual a probabilidade de alta da Selic na próxima reunião?


Votos Percentual
0% 215 7,96%
10% 106

3,94%
20% 83 3,09%
30% 51 1,90%
40% 69 2,57%
50% 240 8,92%
60% 111 4,13%
70% 192 7,14%
80% 229 8,51%
90% 322 11,97%
100% 1073

39,89%
Total 2.690 100%

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