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09/04/2010 - 20h25

Para analistas, bom volume, liquidez e indicadores devem dar tom positivo à semana

SÃO PAULO - O Ibovespa tem potencial para buscar os 72 mil pontos na próxima semana, avalia Antônio Goés, analista da Senso Corretora, para quem o mercado "é bom, de alta". Marco Aurélio Etchegoyen, analista da Diferencial, ainda que com um pouco mais de cautela, acredita que o otimismo em relação aos indicadores macroeconômicos será determinante para direcionar o índice na próxima semana. 

Por isso, os dados da economia chinesa, como PIB (Produto Interno Bruto) e produção industrial, que serão divulgados na quarta-feira (14) após o encerramento dos mercados ocidentais, ganham grande destaque na agenda para essa semana. Para Goés, num primeiro momento, a expectativa de um reajuste da taxa de juro chinesa por causa do aquecimento da economia do país traz certo impacto ao mercado.

Mas, em sua opinião, rapidamente isso é absorvido. "Todos os dados que o governo chinês possa divulgar são favoráveis, pois qualquer coisa que restrinja a economia chinesa internamente facilita a economia mundial". Ou seja, propicia exportações nos EUA, na Europa e aqui. 

Para Etchegoyen, um crescimento acima do esperado deve traduzir-se em otimismo no mercado interno, com expectativa de aumento da demanda por commodities. "O que comprova que os reajustes pedidos pela Vale não são infundados", comenta. 

Volume estrangeiro

A perspectiva de aumento nos preços no minério de ferro contribuiu para a concentração do capital estrangeiro no mercado de commodities. "Esse fluxo acabou se concentrando, em grande parte, nesse setor e nos bancos, que também tiveram boa valorização recente", comentou o analista da Diferencial.  

Por outro lado, Goés comenta que a entrada de recursos é apenas um retorno, já que houve retiradas maciças em momentos anteriores. E ainda aproveitou para elogiar a liquidez e o volume de negociações na bolsa brasileira. "Temos uma bolsa muito mais líquida do que algumas bolsas estrangeiras. O dinheiro entra e sai com muita facilidade", comentou entusiasmado. 

Sinal amarelo

Qualquer que seja o motivo, as altas nos papéis de primeira linha, como Vale (VALE5), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), também tem outro resultado que não impulsionar o Ibovespa. Para o analista da Senso Corretora, a leve realização ocorrida na sexta-feira (9), por exemplo, é resultado da dúvida do investidor quanto ao momento adequado para colocar "o lucro no bolso". Então, qualquer notícia macroeconômica desperta essa coragem no mercado.

Etchegoyen comenta que a grande valorização recente acaba por acender a luz amarela. Por outro lado, o analista acredita que  a tendência dos mercados de renda variável é continuar subindo, ao menos enquanto as taxas de juros mundiais não forem elevadas significativamente. Por aqui, "a elevação da Selic na próxima reunião já está praticamente certa, e a volatilidade deve ficar por conta da magnitude desse reajuste", avalia. 

Futuro

O analista da Diferencial ainda avalia que é a capitalização da Petrobras (PETR4) que impede o Ibovespa de deslanchar de uma vez. Antônio Goés faz avaliação semelhante. "Existe a expectativa de uma virada nos preços por causa do pré-sal, mas o que o governo irá fazer na capitalização da estatal leva à subavaliação da Petrobras. A decisão ali é muito mais política do que técnica." 

Mas, tranquilo em relação ao atual impasse, conclui: "nada trágico, o mercado busca no final do ano os 80 mil pontos".

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