UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

13/04/2010 - 16h39

Fim do IPI reduzido e alta no minério de ferro elevarão preço dos eletrodomésticos

SÃO PAULO – Além do fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para a linha branca, outro fator que pode contribuir para elevar os preços dos eletrodomésticos nos próximos meses é a alta no minério de ferro, principal matéria-prima desses produtos.

No início de abril, um novo mecanismo de negociação do minério de ferro foi estabelecido pelas siderúrgicas. Agora, a precificação passa de anual para trimestral, o que, na projeção de muitos analistas, tornará o minério mais caro e, por consequência, o aço mais caro (o aço corresponde a 95% de todo o metal consumido no mundo).

“Havendo aumento na matéria-prima, o aço, os preços podem se elevar, independentemente de o IPI ter voltado”, declarou o economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo. Para o especialista, embora o comércio imponha resistência ao máximo para não subir seus preços, a decisão acaba cedendo pelo aumento dos custos.

Preços já subiram

O IPI reduzido na linha branca se encerrou no dia 31 de janeiro. Um levantamento do Simerj (Sindicato do Comércio Varejista do Rio de Janeiro) apontou que o valor médio de quatro de dez equipamentos pesquisados tinham sofrido alta já em fevereiro.

A máquina de lavar, por exemplo, custava em média R$ 1.305,68 e passou a R$ 1.385,43 após o término do IPI reduzido – um aumento de 6,11%. O preço da geladeira aumentou 3,11% entre o primeiro e o segundo meses do ano.

Solimeo afirma que sempre que um incentivo ocorre com uma data final agendada, ocorre uma antecipação na demanda e é natural que o mercado enfrente uma ligeira queda na procura após esse período, a qual não se deve, na opinião do economista, ao aumento nos preços.

“O incentivo (redução do IPI) tinha mais um impacto publicitário do que realmente no preço final, ainda mais se você considerar uma prestação”, disse. “É possível que o comércio compense a volta do IPI com uma prestação a mais no final do parcelamento, mas não vai haver uma queda muito forte na procura, apenas um período de ajustamento”.

Perspectiva

O economista afirma que um problema recorrente quando se oferecem benefícios fiscais a algum setor é o momento da retirada, mas, no caso do IPI, em dois ou três meses o mercado já voltará à normalidade. Segundo ele, o mês de abril é “mais ou menos morno”, mas na segunda quinzena começa a acelerar por conta do Dia das Mães, quando os eletrodomésticos têm grande presença.

“Agora, o comportamento dos preços vai depender mais da pressão que a indústria vem sofrendo, porque a chapa de aço é a base da linha branca. É o assunto pendente que deve determinar ou não o aumento”, finalizou.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host