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15/04/2010 - 17h48

Desde 1997, pioneiras em governança dão retorno cinco vezes maior na bolsa

SÃO PAULO – Os investidores estão de olho em requisitos tradicionais na hora de comprar ações na bolsa de valores, como demonstrativos financeiros e o balanço patrimonial. Mas um indicador que tem ganhado destaque é se a empresa adota boas práticas de governança corporativa, o que tem se traduzido em mais ganhos ao pequeno aplicador.

Estudo realizado pelo Círculo de Companhias da América Latina, grupo que abriga as empresas pioneiras na governança corporativa na região*, mostrou que, para cada US$ 1 investido nessas empresas desde 31 de dezembro de 1997, o aplicador teria US$ 15,45 ao final de 2008. Já o ganho de uma carteira ponderada com todas as empresas latino-americanas foi de US$ 3,14 no período, ou seja, ganhos de 1.445% e 241%, respectivamente.

“Os benefícios de governança corporativa hoje são tangíveis e já mensuráveis”, explicou Sandra Guerra, que participa do Círculo de Companhias da América Latina, instituição que lançou, nesta quinta-feira (15), um guia prático sobre o tema, que estará disponível no portal do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) nas próximas semanas.

A governança

O tema governança corporativa chegou ao Brasil há cerca de 15 anos, quando foi formado o IBGC. De lá para cá, o assunto evoluiu, até que foram criados, na Bolsa de Valores de São Paulo, o Novo Mercado e os Níveis de Governança Corporativa 1 e 2, uma nova forma de listagem das empresas de capital aberto.

“É muito importante que o investidor entenda os conceitos de governança antes de mais nada. Saber que ela é, no fundo, um sistema que organiza as empresas no sentido de lidar com as relações entre proprietários, administradores, gestores da empresa e os stakeholders, que são todas as partes relacionadas”, explicou o presidente do Conselho de Administração do IBGC, Gilberto Mifano.

“O que o pequeno investidor tem de entender? Ele tem de avaliar se a empresa está lidando com essas relações de forma transparente, dando as informações necessárias e cuidando para que os conflitos sejam adequadamente controlados. Sempre que existe uma relação, existe um conflito natural”, completou.

Segundo Mifano, a governança tem cumprido no Brasil um de seus papéis, que é o de proteger o pequeno investidor. “Quando alguma empresa com boa governança fornece as informações adequadas, quando ela tem a transparência, a consequência é a proteção do pequeno investidor, no sentido de ter respeitado seus direitos e de ter informação adequada para julgar se ele deve continuar ou não investindo naquela empresa”.

Avanços no Brasil

De acordo com ele, os brasileiros estão, sim, correndo atrás do tema governança corporativa ao investir, tanto que, ao abrir capital, as empresas aderem às boas práticas para que a operação seja bem sucedida. Porém, o Brasil ainda está atrás de países da Europa e dos Estados Unidos em relação a esse assunto, embora esteja à frente dos companheiros emergentes.

“As empresas brasileiras têm avançado, muito e rapidamente, nesse sentido de dar maior transparência, de seguir regras, boas práticas, que efetivamente melhorem esse ambiente. O Brasil hoje está dando até uma certa demonstração para o mundo inteiro de que é possível um país emergente avançar em governança e trazer para o ambiente dos investimentos uma confiança maior, não só para grandes investidores, mas também com relação aos pequenos”.

Os resultados são sentidos pelas próprias companhias. Os dados da pesquisa mostraram que, enquanto as empresas pioneiras em governança corporativa na América Latina registraram, entre 2005 e 2007, um lucro sobre patrimônio líquido de 21,7% em média, o restante das S/As latino-americanas obtiveram média de 16,7% no mesmo período.

E, mesmo depois da crise, a situação não ficou diferente: elas tiveram um retorno sobre o patrimônio líquido de 7,9% durante o ano de 2008, ante 5,1% das equivalentes da América Latina, enquanto a margem Ebtida delas foi de 18,6%, ante 13,7% das demais empresas da região, e o índice de solvência das companhias pioneiras em boas práticas ficou em 8,3, em comparação ao 1,8 das restantes.

“Quando as empresas adotam boas práticas, elas ficam mais protegidas em relação a determinados riscos, os investidores ficam mais tranquilos de manter o seu capital alocado nessas empresas ou de exatamente alocar nesse momento da crise nessas empresas, que oferecem menos riscos. Então, o que a gente notou é que as ações dessas empresas perderam menos do que as ações das demais empresas da América Latina”, reforçou Sandra.

De acordo com ela, durante a crise, as empresas pioneiras em práticas de governança corporativa tiveram uma queda de 41,3% no valor de suas ações, em dólares, contra 49,3% das demais empresas latino-americanas.

*São elas: Argos (Colômbia), Ferreyros (Peru), Homex (México), ISA (Colômbia) e Marcopolo, Natura, NET, Suzano, Ultrapar, CCR, CPFL e Embraer (Brasil).

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