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15/04/2010 - 17h03

Para BofA ML, mercado de ações pode ter correção de 5% a 10% no 2T10

SÃO PAULO – “Seguimos sendo teimosamente otimistas”. É como os analistas do Bank of America Merrill Lynch se definem, em relatório divulgado pelo comitê de pesquisa do banco, o chamado RIC (Research Investment Committee) Report. Com o fim do 1º trimestre, os analistas param para avaliar a sua análise da economia feita no início do ano, e ajustar suas projeções – e suas recomendações – para 2010.

“No início do ano, esperávamos uma recuperação melhor do que a prevista, inflação em baixa, dólar e commodities em alta, ações performando melhor do que títulos de dívida e large caps performando melhor do que small caps. Passados 3 meses, infelizmente, não acertamos em todas as projeções”, explicam os analistas.

Erros

Entre os “erros” do BofA Merrill Lynch - classificados pelo banco como “coisas que funcionaram pior” – está a projeção de que as large caps performariam melhor do que as small caps. “As small caps tiveram um desempenho [na média de] 360 pontos-base acima das large caps”, afirmam os analistas, justificando parte dessa performance pelo avanço dos pequenos bancos, que se beneficiaram da diminuição dos temores em relação ao crédito nos EUA.

Outra projeção que não se concretizou foi a expectativa de que as ações globais tivessem performance melhor do que as norte-americanas. “Ajudadas pela alta do dólar, as ações dos EUA tiveram um desempenho melhor, enquanto as ações globais foram pressionadas por temores acerca da situação fiscal, na Europa, e sobre apertos monetários, nos emergentes”, explica o banco.

Apesar do resultado abaixo das expectativas nos últimos meses, os analistas mantêm suas apostas em large caps e em ações globais. “No caso das large caps, acreditamos que a ausência de uma alta sustentável no crédito e na inflação – um cenário de fraco crescimento -favorece essas ações em médio prazo. Já em relação às ações globais, os eventos foram pontuais, e mantemos nossa projeção positiva”, afirmam Michael Hartnett e Jpseph Zidle, que assinam o estudo.

Acertos

Apesar desses “erros”, grande parte das projeções do banco se tornou realidade. As commodities – como ouro e petróleo – avançaram, assim como o dólar, que subiu 4,1% no trimestre.

Além disso, o crescimento se mostrou forte, impulsionado pelo ciclo de estoques – que, por sua vez, foi resultado das políticas expansionistas dos governos. “Revisamos nossas estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) global de 4,4% para 4,5% no ano”, afirmam os analistas. As expectativas de inflação baixa também se cumpriram, e seguem inalteradas, assim como a projeção de que o Fed só subirá a taxa básica de juro em 2011.

De maneira geral, a projeção de que as ações teriam um desempenho melhor do que títulos de renda fixa também se confirmou, em especial nos EUA.

Daqui para frente...

Passada a análise dos erros e acertos, o BofA Merrill Lynch traça as perspectivas – ainda otimistas – para o restante do ano. De acordo com os analistas, o bear market sem precedentes foi seguido de uma crise econômica também sem precedentes, que por sua vez resultou em políticas excepcionais – que, por fim, impulsionaram um rali sem precedentes nos ativos de risco.

Por hora, o banco espera que as políticas monetárias extraodinárias permaneçam inalteradas nos países do G7, apesar do progresso da economia desde o primeiro trimestre de 2009. A alta taxa de desemprego nos EUA e a fragilidade da confiança do consumidor devem garantir isso, garantindo apoio à economia global em 2010.

Além disso, o cenário se mostra mais positivo para os ativos de risco. “Fortes mercados de crédito são historicamente bons para ações”, afirmam os analistas. Os resultados trimestrais também têm emitido bons sinais, com alta nos lucros e balanços fortes. Com isso, os analistas esperam um avanço de 30% no lucro por ação dos ativos globais no ano.

“Acreditamos que ainda há um upside cíclico nos mercados de renda variável, mas um upside substancial só é provável caso a atividade econômica seja acima da média”, ressalta o BofA Merrill Lynch.

Correção à vista

Mas, mesmo com todo o otimismo, é preciso ter cautela. “O momento mais vulnerável para o mercado de renda variável é quando os investidores ficam otimistas demais – e podemos estar próximos de um momento assim”, afirmam os analistas. Um indício é que os investidores de varejo não estão mais fugindo de ações, tendo aplicado US$ 20,7 bilhões nesses fundos nas últimas 8 semanas, o melhor rali desde 2005. “Esse recente impulso de compras antecede um longo e duro período de liquidação”, explica o banco.

Assim, os analistas preveem que uma correção de 5% a 10% seria um sinal saudável, já que o mercado acionário vive um momento de euforia em excesso – mas não significa o fim dos ganhos. “O bull market comecou com as autoridades e dos investidores apocalipticamente pessimistas, e não deve acabar até que ambos se tornem complacentes de novo”, afirmam.

Entretanto, uma valorização drástica nas cotações do ouro acenderia o sinal amarelo para os analistas, assim como um overweight dos investidores no setor financeiro. Uma alta do petróleo causada por questões geopolíticas também prejudicaria as ações, na visão do banco.

Do lado da política financeira, a retirada prematura de incentivos fiscais e monetários poderia levar a economia a uma nova recaída. Outros riscos incluem um atraso no pacote de ajuda à Grécia, e problemas entre China e EUA.

O estrategista-chefe do banco para ações norte-americanas, David Bianco, também acredita que uma rápida alta na taxa de yields dos Treasuries seria um grande risco para o rali. A volatilidade no mercado de Treasuries, segundo o BofA Merrill Lynch, também poderia ser causada por movimentos cambiais chineses. “Mas uma preocupação maior seria se a China não se manifestasse nesse sentido, que aumentaria os temores de políticas protecionistas entre EUA e China”, afirmam os analistas.

“Conselhos”

Traçado o cenário, a equipe do BofA Merrill Lynch conclui o seu relatório com conselhos para o investidor pessoa física – alertando, primeiramente, para a possível correção no segundo trimestre. “Mas isso não é necessariamente o fim do bull market. Para isso, você precisa de complacência do investidor, uma recaída da economia, um erro na condução da política monetária ou um choque negativo muito forte”, afirmam.

Caso nenhuma das alternativas acima se confirme, os analistas explicam que, para os investidores que tem títulos de dívida de alto yield, pode ser hora de ir para notas de dívida securitizada de alto rating; caso o investidor esteja fora do mercado, é hora de comprar ativos de qualidade; e caso o investidor tenha ações small caps, agora é um bom momento para mudar para large caps.

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