UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

15/04/2010 - 11h04

Penalizada pela bolsa, com caixa renovado e livre de raízes, Unipar se reinventa

Infomoney
SÃO PAULO – Primeiro, a venda do principal ativo para o maior rival e a decorrente saída do setor que deu origem à companhia. Alguns meses depois, um resultado que surpreendeu negativamente os analistas. À frente, expectativa de “trabalho e bons resultados”.

É essa a história da Unipar (UNIP3, UNIP6). Com desvalorização acumulada de 42,7% e 35,3%, suas ações ON e PNB aparecem entre as piores performances de toda a bolsa em 2010.

À procura de um maior entendimento sobre tamanha penalização, a InfoMoney buscou dois pontos de vista, ao entrevistar com exclusividade o CEO (Chief Executive Officer) e diretor de RI (Relações com Investidores) da companhia, José Octavio de Mello, e o analista Erick Scott Hood, da corretora SLW.

Perspectivas diminuídas, um bom negócio

“Com a venda dos ativos, há uma entrada de caixa, mas a perspectiva de crescimento da companhia - perante um grupo de empresas que ela detinha - diminuiu bastante”, declara Erick, em referência à venda da Quattor para a Braskem. “Quem domina o setor agora é a Braskem e a Petrobras”.

A Unipar celebrou em janeiro último um contrato com Odebrecht, Petrobras e Braskem, comprometendo-se a vender a totalidade de sua participação societária de 60% do total do capital da Quattor. O valor total da operação entre a Unipar e a tríade foi de R$ 870 milhões, sendo R$ 647,3 milhões referentes à venda da fatia antes detida na Quattor.

Para o CEO, a venda foi um bom negócio, na rentabilidade e no horizonte. “A Quattor representava um ativo problemático, inserido em um setor com perspectivas futuras desafiadoras e com riscos crescentes de refinanciamento a partir de 2011, que penalizavam muito nosso perfil de crédito e liquidez”, disse o executivo.

“Ainda assim, conseguimos negociá-lo a um múltiplo de venda bastante atrativo (15 vezes o Ebitda) e superior ao observado em transações recentes, o que evidencia nosso comprometimento com nossos acionistas”, completa José Octavio de Mello, destacando o ganho da venda.

Adeus setor petroquímico

À luz da forte desvalorização das ações vista em 2010, o investidor pode considerar um ponto de entrada ou de saída? “Quem quer entrar no setor petroquímico, deveria investir na Braskem”, afirma o analista da SLW, citando que a companhia é líder no setor petroquímico na América Latina e possui exposição ao mercado norte-americano.

Entretanto, o CEO pondera o desligamento com as raízes. “Não podemos correlacionar nossas expectativas de crescimento com o futuro do setor petroquímico. A venda da Quattor representou a saída do grupo desse setor”, declara, enfatizando o afastamento.

Caixa novo, vida nova

À frente, de cara nova, muitos sonhos. “Após a venda e ingresso dos recursos, teremos caixa e uma estrutura de capital que nos dará fôlego e tranquilidade para buscar novas oportunidades. Investimentos dessa magnitude demandam tempo e análises criteriosas. Temos que ter paciência e ser cautelosos nesse momento”, afirma o diretor de RI.

“Após uma forte recuperação das cotações em 2009, as ações vêm sendo penalizadas em 2010, até mesmo pelo momento de transição de negócios que vivemos”, completa o CEO. “Esse quadro só pode ser revertido com trabalho e bons resultados. E é nisso que estamos focados agora”.

Com volatilidade, sem grupamento

A despeito da penalização do mercado, a questão do baixo valor unitário dos papéis – próximo de R$ 1,00 – pode contribuir para oscilações percentuais mais expressivas. “Qualquer empresa que tem valor unitário baixo [nos papéis] enfrenta uma maior volatilidade”, conclui Erick.

Questionado sobre um possível grupamento das ações, o CEO foi enfático. “No momento, não existe qualquer plano de grupamento de nossas ações”.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host