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15/04/2010 - 08h00

Vendas de veículos não devem registrar recordes tão cedo, prevê entidade

Infomoney

SÃO PAULO – Com o fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido, as vendas de automóveis e comerciais leves não registrarão tão cedo números recordes como os de março, acredita o diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil, Evaldo Costa.

De acordo com ele, ainda que exista estoque de veículos nas concessionárias com a isenção do imposto, a perspectiva é que os consumidores sumam das lojas. Segundo estudo da Agência MSantos, ainda existem cerca de 26 mil veículos flex com imposto reduzido nos estoques das concessionárias de São Paulo.

Porém, para Costa, dois cenários prevalecem. “Por um lado, há a expectativa de que as promoções e os estoques antigos manterão, por algum tempo, o ritmo dos descontos elevados, beneficiando o consumidor”, afirmou, por meio de nota. Por outro, no entanto, é possível que os preços dos veículos se elevem, devido ao rápido escoamento desses estoques, aliado ao aumento do preço do aço no mercado.

Aumentos

O economista Ayrton Fontes, da Agência MSantos, também acredita em elevação  dos preços dos veículos. “As montadoras aqui instaladas estão com suas margens pressionadas e tiveram um custo muito elevado para manter até agora os preços de seus veículos”, explica ele. “Os realinhamentos dos preços foram tímidos, não chegando a 0,5%, e os altíssimos custos de marketing dos últimos meses comprometeram mais ainda as margens, além dos aumentos dos custos de produção”, completa.

Além do fim do IPI, outros entraves podem barrar o crescimento das vendas: o preço do minério de ferro no mercado internacional e a Selic. Fontes explica que as montadoras são o segundo maior consumidor de aço, atrás apenas da construção civil. Como o minério é a matéria-prima do metal e seus preços estão subindo no mercado, é provável que haja um encarecimento dos custos das empresas na hora de montar um auto.

Este incremento deve ser repassado ao consumidor, cedo ou tarde. Para o especialista, se o preço do minério continuar subindo, o impacto será maior, o que barrará o aumento do consumo de zeros. Ele também acredita que o aumento da taxa de juro básica pode frear ainda mais o desenvolvimento da indústria automobílistica.

Costa também acredita nisso. Para continuar em bom ritmo, o presidente do Instituto das Concessionárias do Brasil defende que a indústria automobilística deve ter incentivos, com reduções de juros e impostos.

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