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16/04/2010 - 11h00

Enquanto a bolsa segue "de lado", qual a melhor estratégia para o investidor?

SÃO PAULO - Depois de bater por duas vezes o maior patamar desde junho de 2008, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem operado de lado, mostrando oscilações positivas e negativas, e operando descolado de Wall Street nos últimos pregões. Com isso, qual a melhor estratégia para o investidor em bolsa de valores no momento?

A InfoMoney ouviu quatro opiniões de gestores de corretoras, que trazem indicações de como aproveitar oscilações de curto prazo, foco no longo prazo, atenção às indefinições políticas e concordam em um ponto: há espaço e potencial para alta.

Aproveitar oscilações de curto prazo

Para o assessor de investimentos da Corretora Geral, David Brusque Riesinger, a estratégia é aproveitar as oscilações de curto prazo. "O mercado está subindo devagar mas com muito movimento lateral ao mesmo tempo", afirma, completando que, "para ficar posicionado no momento, tem que ser colocado stop nos dois momentos".

Para investidores novos, a recomendação é de aguardar mais. Outra possibilidade é se posicionar em papéis que pagam mais dividendos, como os do setor de energia, que não oscilam tanto.

E quando o investidor deve voltar? Para Riesinger, deve-se esperar a melhora na situação de déficit na Europa e nos EUA. Falando em termos de pontos, Riesinger acredita que após o rompimento dos 73 mil pontos pode ser que o mercado avance um pouco mais, mas em sua opinião, o investidor deveria auardar que o índice caia abaixo dos 70 mil pontos para, então, voltar a comprar.

"O mercado está muito pesado, subindo aos poucos, e quando bate um topo maior, cai", afirma, lembrando que alguns papéis já atingiram suas máximas - por exemplo, o setor de mineração, financeiro e siderurgia, que já estão, em sua opinião, bem precificados. Já a Petrobras está "fora do padrão, muito para trás, por causa da capitalização".  Apesar de estar barata, talvez não seja o momento de compra, em função das dúvidas quanto ao aumento de capital. 

Correção dentro de tendência de alta

Eduardo Otero, economista da Um Investimentos, acredita que a bolsa brasileira está defasada com relação aos mercados externos. "Nos últimos dias o mercado andou bem lá fora e aqui ficou travado. O mercado ainda está comprado. Estamos com uma correção dentro de uma tendência de alta", avalia Otero. Para ele, apesar de já ter subido bastante, ainda há espaço para alta.

Otero acredita que o descolamento pode ser em função de alguns eventos, como a alta dos juros que deve vir maior do que o mercado esperava, e, no curtíssimo prazo, o vencimento de opções na semana que vem. Ainda assim, o economista se diz "muito positivo para bolsa".

Com relação a setores, essa alta dos juros acima do esperado pode impactar mais em alguns, como o varejo por exemplo. "Ainda assim, mesmo que sofra ajuste, o varejo tem mostrado indicadores fortes. Mesmo que desacelere, estará em um patamar razoável de crescimento".

 "É óbvio que, se parar pra pensar, estamos em um patamar que a bosla só esteve uma vez", ressalva Otero, que faz, entretanto, uma comparação com o desempenho de março, quanto o Ibovespa teve alta de 5,82%. "Mesmo em março, quando a bolsa andou, teve vários dias em que patinava", explica.

Incerteza política

Já Sandoval Costa, gestor da corretora Prime, aponta para o receio com relação ao debate político das eleições, sem definições sobre a política econômica dos dois candidatos, que devem causar incerteza no investidor estrangeiro. "Diante desse quadro político, até que se tenha idéia da postura dos dois candidatos, acho que o investidor deve se precaver em relação a isso".

Costa afirma que isso não significa vender toda a carteira, mas deixar um percentual de cerca de 10% a 20% fora das ações no momento. Este percentual poderia ser investido, no caso de pessoa física, em títulos do Tesouro Direto indexado à Selic - cujas projeções de alta também são citadas pelo analistas como fator de aumento da incerteza.

Longo prazo

O gerente de renda variável do Banco CR2, Guilherme Kobylko, lembra de um fator importante: o perfil de longo prazo do investidor pessoa física. Além disso, ressalta que "cada pessoa física tem uma necessidade de liquidez diferente, um perfil e aversão ao risco diferentes', afirma. Isso influencia na estratégia a ser traçada e, assim, fica difícil definir um padrão.

Dito isso, Kobylko acredita que o inveditor não deveria tentar antecipar o mercado, mantendo o perfil de longo prazo. "Nem os investidores profissionais conseguiram prever a última crise", lembra o gerente. E, pensando no longo prazo, suas perspectivas são  boas para a bolsa, com potencial de valorização nos próximos anos. Assim, para pessoa física, a estratégia deve ser de se manter comprada em bolsa, avalia Kobylko.

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