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26/04/2010 - 14h03

Comportamento do mercado nesta semana se volta para Grécia e agenda de peso

SÃO PAULO – A Grécia mais uma vez aparece entre os eventos que podem mexer com os humores do mercado nesta semana. Aliado a indicadores de desempenho da economia norte-americana e decisão sobre os juros nos EUA e no Brasil, o déficit fiscal do país helênico parece que começa a tomar um rumo mais certo.

No final de semana, o ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, declarou que o país poderá receber seu pacote de resgate antes de meados de maio, trazendo um certo alívio ao mercado. Na última sexta-feira (23), a Grécia fez um pedido formal de ajuda à União Europeia e ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Contudo, o analista Simon Derrick, do Bank of NY Mellon, destaca que os mercados ainda permanecem sob altos níveis de estresse. “Com comentários negativos do diretor-executivo de investimentos da gestora Pimco, parece razoável que os investidores continuem adotando uma crescente aversão ao risco em relação aos mercados europeus”, fala. O analista lembra que o diretor-executivo da Pimco, Mohamed El-Erian, declarou que a questão grega irá causar uma forte entrada de capital na União Europeia, assim como um forte fluxo de saída da UE para o resto do mundo. 

Derrick comenta ainda que é possível que novas declarações de ministros das Finanças do G-20 e de presidentes de bancos centrais possam vir a influenciar também os mercados, se trouxerem alguma surpresa.

Outros pesos da balança

Para a diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio Miriam Tavares, a volta das bolsas de valores mundiais depende ainda de outros fatores além-Grécia nesta semana.

Miriam aponta notícias econômicas da agenda externa como outros pesos a serem medidos por investidores: decisão e comunicado do Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Banco Central dos EUA), demais indicadores macroeconômicos internacionais e resultados corporativos trimestrais norte-americanos (Exxon, Chevron, Cat e Procter, entre outros).

Quanto à também aguardada decisão do Copom sobre a Selic, questão que gera polêmica entre analistas do mercado e que tem sido apontada como um dos motivos para o comportamento lateral da bolsa brasileira, a diretora de câmbio da AGK diz que "a maior parte dos estrategistas desse segmento acredita que um aumento de 0,5 ponto percentual [na Selic] está atualmente precificado pelos investidores, mas o mercado também cogita uma elevação de 0,75 ponto percentual, o que, se ocorrer, poderá levar o investidor a migrar levemente para a renda fixa”.

Contudo, ela afirma que uma movimentação mais acentuada só deverá ocorrer se a Selic ultrapassar os 11%, o que alguns analistas esperam que aconteça mais perto do final do ano.

“Os resultados corporativos, que começam a ser publicados no Brasil, também podem proporcionar um aumento pontual para algumas ações, embora, sozinhos, não devam ter força para mudar o rumo das negociações”, adiciona a diretora da AGK.

Volátel

Miriam sustenta a opinião de que o atual contexto de volatilidade deve prosseguir por mais um tempo, uma vez que ao lado de indicadores macroeconômicos positivos (sinalizações de governos e resultados corporativos), a volatilidade e os movimentos de realizações seguidas de alta dos preços dos ativos ainda são constantes.

“O maior risco deverá fazer parte do ambiente de negócios ainda por algum tempo”, fala a diretora de câmbio. Em sua visão, a alta liquidez sustentada pelas injeções de recursos dos governos faz com que a volatilidade fique ainda mais acentuada e a perspectiva de alta das bolsas mais presente.

Agenda

Além da decisão do Fomc, o Comitê de Política Monetária brasileiro (Copom) também se reúne esta semana para decidir os rumos da taxa básica de juros do país (Selic). O mercado estima uma alta entre 50 e 75 pontos-base na atual taxa de 8,75% ao ano.

“Acho que este ciclo de alta de juros é o componente que mais segura a bolsa por aqui. Até termos uma noção exata de quanto será necessário, a bolsa fica de lado”, comenta o economista George Sanders, responsável pela área de gestão de renda variável da Infinity Asset Management.

Ele destaca ainda os números a serem divulgados na sexta-feira (30), referentes ao PIB (Produto Interno Bruto) e ao consumo norte-americanos.

 > Segunda-feira (26/4)

- Brasil

7h00 - IPC-Fipe referente à terceira quadrissemana de abril (Fipe - Fundação Instituto de Pesquisa Econômica); 

8h30 -Relatório Focus (Banco Central);

11h00 - Balança Comercial referente à última semana (Ministério de Comércio Exterior).

- EUA

Não serão revelados indicadores relevantes no país neste dia.

 > Terça-feira (27/4)

- Brasil

8h00 - Sondagem do Consumidor de abril (FGV (Fundação Getulio Vargas); 

Este será o primeiro dia da reunião do Copom, quando os membros do Comitê expõem suas opiniões sobre a conjuntura econômica nacional.

- EUA

10h00 - S&P/Case-Shiller Home Price de fevereiro (S&P - Standard & Poor's);

11h00 - Consumer Confidence referente ao mês de abril;

Destaque também para o primeiro dia da reunião do Fed, quando o colegiado se reúne para discutir as principais diretrizes econômicas do país.

 > Quarta-feira (28/4)

- Brasil

18h00 - Copom (Comitê de Política Monetária) define o rumo da taxa básica de juro doméstica.

- EUA

11h30 - Estoques de Petróleo norte-americano (EIA - Energy Information Administration);

15h15 - O Fed decidirá o novo patamar do juro básico norte-americano, atualmente em 0,00% a 0,25% ao ano.

 > Quinta-feira (29/4)

- Brasil

8h00 - IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de abril (FGV);

9h30 - Pesquisa Mensal de Emprego referente ao mês de março (IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); 

10h30 - Nota de Política Monetária de março (Banco Central);

O Tesouro Nacional divulga os dados sobre a evolução da dívida líquida do governo durante o mês de março.

- EUA

9h30 - Initial Claims (pedidos de auxílio-desemprego), em base semanal.

 > Sexta-feira (30/4)

- Brasil

8h00 - Sondagem Industrial referente ao mês de abril (FGV);

10h30 - Nota de Política Fiscal do mês de março (Banco Central).

- EUA

9h30 - Employment Cost Index referente ao primeiro trimestre, responsável por mensurar o custo da mão-de-obra. O indicador é muito utilizado pelo mercado como medida de inflação;

9h30 - Primeira prévia do PIB e de seu deflator, todos baseados no primeiro trimestre (Departamento de Comércio);

10h45 - Chicago PMI referente ao mês de abril, que mede o nível de atividade industrial na região;

10h55 - Versão final do Michigan Sentiment de abril, que mede a confiança dos consumidores na economia norte-americana (Universidade de Michigan).

- Japão

O Banco do Japão (BoJ) realiza reunião de política monetária, com definição da taxa básica de juro do país.

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