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27/04/2010 - 18h04

Copa pode formar torcida de consumidores impulsivos; como não fazer parte dela?

SÃO PAULO – Tempos de Copa deixam muita gente eufórica. A ampla cobertura da mídia, as conversas no trabalho, em casa, entre os amigos: tudo deve girar em torno do mundial de futebol. As empresas não ficam de fora e realizam ações de marketing em massa por conta do evento. Por isso, será comum encontrar estabelecimentos comerciais decorados com verde e amarelo para promover ofertas e descontos. E como resistir à tamanha tentação?

A Copa movimenta altos investimentos em propaganda e marketing difíceis de serem mensurados. E o retorno é garantido, pois o aumento do consumo por conta do evento é esperado. “Realmente, um evento como a Copa proporciona uma série de oportunidades ao mercado de consumo, até mesmo para alguns bens duráveis”, afirma o professor de marketing da Trevisan Escola de Negócios, João Paulo Lara de Siqueira.

Mas, se para o comércio, a Copa é um bom negócio, para os consumidores mais apaixonados pode se tornar um risco de ficar endividado. Isso porque esses momentos de patriotismo envolvem o lado emocional do consumidor, que o leva a realizar mais compras por impulso do que em dias comuns.

Loucos por futebol

Será que, para torcer pelo Brasil, você precisa mesmo daquela TV de muitas polegadas? Para Siqueira, perguntas como essas devem ser feitas pelo próprio consumidor, para que ele não caia em uma dívida sem precedentes. “O consumidor deve tentar separar as coisas”, afirma o especialista.

Ou seja, a propaganda pode ser bacana e passar uma imagem de que comprar aquele produto agora pode ser vantajoso, mas o consumidor deve levar o bolso, não a propaganda, em consideração. “Não tem muita receita, a melhor coisa a fazer é manter o pé no chão e conversar com a família sobre a necessidade de adquirir o produto”, ressalta Siqueira.

Para o professor, evitar compras por impulso em tempos festivos ou não requer planejamento e cabeça fria do consumidor. Além dos questionamentos sobre a necessidade da aquisição, olhar para o orçamento no longo prazo e considerar todas as variáveis devem entrar no planejamento, principalmente quando a compra é de maior valor e financiada, como a da TV, por exemplo.

“Aquela parcela que cabe no seu bolso neste mês pode não caber no próximo”, ressalta. Sem contar que parcelamentos a perder de vista devem considerar fatores como as contas a pagar e riscos como a queda no salário e até a perda do emprego. Até mesmo ofertas devem ser vistas com desconfiança. “Será que vale a pena mesmo aproveitar a promoção?”, questiona Siqueira. A resposta está na ponta do lápis.

Internet também traz riscos

E quem disse que passar longe das lojas pode evitar compras por impulso? “Compra por impulso na internet existe, sim”, afirma Siqueira. Ele explica que a diferença entre esse tipo de compra e a feita em lojas físicas é que, na web, os entraves são maiores e as empresas têm de investir mais para atrair os consumidores.

“Nas lojas físicas, as pessoas extrapolam mais que na web”, diz o professor. “Na internet você está menos envolvido sensorialmente que na loja, então, é mais fácil evitar compras por impulso na web”, explica.

Em contrapartida, a internet carrega a vantagem de dar ao consumidor mais conforto e mais opções de produtos. Sem contar a possibilidade de interação, que é muito maior na rede. “Na loja, se o consumidor não encontrar um sabão, ele deixa pra lá e vai embora, na web, não”, afirma Siqueira.

Cabeça de olho no bolso e não na bola

A Copa pode bombardear os consumidores com tentações de consumo, mas, se ele não quiser ficar no vermelho durante o resto do ano, o melhor mesmo é manter a cabeça de olho no bolso. “Ele precisa perceber que a Copa acaba, mas a vida continua”. E as contas a pagar também continuarão chegando, com o Brasil ganhando ou perdendo o Mundial.

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