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27/04/2010 - 11h00

POP: três anos após lançamento, aposta da bolsa não atingiu objetivo

SÃO PAULO – Imagine a seguinte propaganda na TV: um jogador arremessa uma bola de basquete, e a medida que o resto do cenário vai aparecendo na tela, o telespectador percebe que trata-se uma cesta gigante, sem chances da bola ser arremessada para fora. A ideia por trás disso é trazer uma sensação de segurança, e partiu da Bovespa, em 2007, como forma de divulgar um novo produto para o investidor: o POP (Proteção de Investimento com Participação).

O objetivo do POP era simples: trazer pessoas que estavam fora da bolsa, através de uma estratégia mais segura. O POP é composto por “uma determinada ação no mercado a vista e suas correspondentes opções de compra e de venda no mercado de opções”, segundo o site da BM&F Bovespa.

“Era uma forma de garantir parte do capital investido. Trazia certa garantia ao investidor”, explica Julio Carlos Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&F Bovespa, em entrevista exclusiva à InfoMoney. Ele explica que trata-se de uma forma com muito menos risco de se entrar na bolsa, mas obviamente, com perdas no retorno. “Por isso era principalmente para atrair estreante na bolsa”, resume.

Como funciona

Segundo o site da bolsa, o funcionamento ocorre da seguinte forma: “o investidor define o nível de proteção desejado ao escolher em que série de POP vai investir. Se a ação cair, ele recebe o valor do capital protegido, cobrindo assim o risco correspondente à desvalorização. Entretanto, se a ação subir, o aplicador abre mão de uma parte do lucro obtido com a valorização do papel”. Mas cabe lembrar que o valor do capital protegido escolhido pode ser menor que o valor investido - o preço pago pelo POP.

Assim, o POP não é uma ação, mas uma combinação de três instrumentos distintos, embora precise de apenas uma ordem para ser comprado ou vendido.

Com relação ao preço, este depende da combinação entre o montante protegido e o percentual de participação. “Portanto, o preço de um POP pode ser inferior ou superior ao preço da ação que lhe serve de referência. Além disso, as cotações de um POP dependerão do seu prazo, da volatilidade da ação de referência e da taxa de juros vigente no mercado”, explica a página da BM&F Bovespa destinada ao produto.

Avaliação

Com pouco mais de três anos após o lançamento do POP, Ziegelmann afirma que os objetivos não foram atingidos. Para ele, o problema era que a estrutura do produto era um pouco complexa e difícil de entender. “Ele protegia parte do capital investido, mas era um discurso um pouco complicado, que dificultou sua aceitação e popularização”, enfatiza o diretor.

Números do POP (*até 20/04/2010)

Ano Quantidade Volume (R$ milhões)

2007 771.500 40,109
2008 409.700 19,660
2009 392.200 13,523
2010* 33.400 1,337
Os números do POP mostram, além da baixa popularização, uma queda na demanda pelo produto desde o lançamento. Em 2007, foram 771.500 POPs negociados, movimentando um volume de R$ 40,109 milhões, o recorde anual até o momento. Como forma de comparação, o mercado de ações movimenta, em média, valores em torno de R$ 6 bilhões por dia.

Com relação a possíveis temores sobre o mercado de opções, que poderiam inibir os investidores, Ziegelmann lembra que não era necessário mexer efetivamente com opções. Entretanto, assume que o POP foi estruturado de uma forma que era preciso entender alguns conceitos envolvidos neste mercado.

Próximos passos

“O que temos discutido é uma forma de simplificar o produto, mas é muito complexo fazer essa simplificação, porque a estrutura que está por trás é complexa”, avalia o diretor. Ele afirma que se fosse possível dizer “compre essa ação que seu capital está garantido, seria ótimo, mas não é exatamente isso”.

Atualmente, ainda não há nada de concreto, mas há estudos para tentar chegar a essa simplificação. Neste sentido, também não há esforços de marketing – que devem voltar se a bolsa conseguir chegar a uma solução. “O apelo da segurança é fácil de vender, o problema é explicar o produto”, conclui o diretor.

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