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27/04/2010 - 11h30

Provável alta da Selic influencia pouco o consumo e mexe com os investimentos

SÃO PAULO - Consenso entre os especialistas, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve elevar a taxa básica de juros na quarta-feira (28).

Embora o percentual de aumento ainda seja uma incógnita, a aposta do mercado é em uma elevação entre 50 e 100 pontos base.

Mas como esse provável aumento interfere na vida dos consumidores e dos investidores?

Consumo

De acordo com o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, em um primeiro momento o impacto é quase imperceptível. "É claro que os juros aumentam, e para quem financia a compra, ela fica mais cara, mas como as pessoas estão acostumadas a comprar em prazos longos, esse aumento se dilui nas prestações e quase não se percebe.

Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), completa: "Esse aumento não vai diminuir o consumo. Lógico que há um efeito psicológico entre os compradores, ele tem a consciência de que está pagando mais. Mas são apenas poucos centavos que a prestação fica mais cara, não impacta no bolso, e não é suficiente para o brasileiro colocar o pé no freio e parar de comprar".

Ainda para Solimeo, a provável elevação é mais significativa no quesito sinalização do que irá acontecer nas próximas reuniões. "Acho que isso é o que influencia mais. Se percebermos que o Copom pretende continuar aumentando a Selic nas próximas reuniões, aí sim pode ser que haja um impacto maior nos consumidores".

Investimentos

Já com relação aos investimentos, o aumento da Selic para causar mais impacto. "Obviamento, com juros mais elevados a gente começa ver uma migração de fundos de ações para fundos DI e Multimercados já que eles passam a oferecer uma rentabilidade boa, com menos risco", conta o economista-chefe da Legan Asset, Fausto Gouveia.

O economista-chefe do banco Schahin, Sílvio Campos Neto, completa: "Embora a curva de juros projetada atualmente já incorpore uma sequência de alta na taxa Selic, esse possível aumento da próxima quarta-feira faz com que a renda fixa passe a ter uma atratividade maior do que teve nos últimos meses. Com isso, o investidor passa a repensar seu posicionamento em renda fixa e renda variável. Acho que o primeiro impacto é esse: rever as posições dos investimentos", finaliza.

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