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28/04/2010 - 11h15

Brasileiro só se considera endividado quando não consegue pagar as contas

SÃO PAULO - O presidente da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Paulo Caffarelli, defendeu que os cartões de crédito deveriam ser usados apenas para pagamentos à vista. O parcelamento, segundo ele, só deve ser utilizado quando o varejista oferecer essa forma de pagamento sem juros.

"O cartão de crédito é um grande aliado do consumidor. Com ele é possível centralizar o pagamento das contas em uma única data, o que dá maior controle do orçamento, por exemplo. Porém, os parcelamentos com juros e o rotativo do cartão possuem taxas muitos altas, e deveriam ser evitados", afirma.

O executivo explica que as altas taxas são em decorrência do perigo do não recebimento. "Quando um lojista aceita um pagamento com o cartão, ele sabe que vai receber, mesmo que o cliente não pague a fatura, porque a administradora, ao conceder o cartão ao consumidor, assumiu que pagará as dívidas, mesmo que isso não aconteça. Por isso, essas empresas elevam as taxas, para que esse risco valha a pena".

Endividamento x inadimplência

Ainda segundo Caffarelli, as taxas embutem o risco criado pelo endividamento, não apenas pela inadimplência. "O consumidor assume diversas dívidas, mas não se acha endividado. Ele só se considera endividado quando não consegue pagar, mas aí ele já está inadimplente. Então, mesmo que a inadimplência não seja alta, o endividamento é, e isso traz um risco".

O especialista aconselha os consumidores: "sabemos que às vezes a coisa foge do controle, mas o meu conselho é: se você não vai conseguir pagar a fatura, ao invés de pagar o mínimo, e entrar no rotativo, pegue um empréstimo pessoal e pague. As taxas desse tipo de empréstimo são muito menores que do rotativo. Rotativo bom é apenas aquele em que você compra, tem 40 dias para pagar, com taxa de juros a 0%".

Crescimento

O executivo contou que o mercado de cartões de crédito é o que mais cresce no Brasil, depois do crédito imobiliário. Segundo ele, o setor ainda vive um período de maturação, e os consumidores estão aprendendo a tirar proveito dos benefícios que o cartão oferece.

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