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28/04/2010 - 10h37

Consumidores conscientes são desafio do crédito sustentável

SÃO PAULO – Após passar pela crise financeira sem grandes dificuldades, o Brasil apresenta, em 2010, condições favoráveis para o crescimento de crédito. Porém, especialistas afirmam há um grande desafio a ser enfrentado: maior concessão, sem aumentar a inadimplência, ou seja, o crédito sustentável.

“O Brasil ainda está aprendendo a lidar com o crédito. Temos hoje um volume de crédito de R$ 1,5 trilhão e as expectativas de empréstimo para a pessoa física são excepcionais. A população bancarizada deve dobrar até 2020, então teremos mais 100 milhões de brasileiros aptos a terem crédito, mas o desafio é: como saber quem pode pegar crédito?”, questiona o presidente da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Paulo Caffarelli, em plenária no primeiro dia do CCMCC 2010 (Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento), que acontece em São Paulo.

O presidente da empresa de soluções financeiras Losango, Hilgo Gonçalves, concorda que o momento é de extrema oportunidade de crédito, e que a solução para um crédito sustentável é fazer o tomador se questionar antes de fechar o contrato. “É preciso que o consumidor, antes de fechar um contrato de crédito, faça a si mesmo algumas perguntas: essa compra que quero fazer é realmente importante? Eu preciso disso? Posso mesmo pagar?”.

Empréstimo x crise

Caffarelli, que além de presidente da Abecs é vice-presidente no Banco do Brasil, afirmou que atingir essa maturidade no empréstimo de crédito é importante para que os brasileiros tenham acesso a esse dinheiro mesmo em momentos de dificuldade.

“No ano passado, quando as torneiras de crédito se fecharam, nós no banco adotamos um sistema para avaliar o passado financeiro de nossos clientes e os que tinham um bom panorama receberam crédito mesmo na crise. Temos que fazer isso, porque negar crédito para uma pessoa, que é boa pagadora, em um momento difícil, pode trazer grandes problemas à vida dela”, explica.

Gonçalves completa: “cliente bom, é cliente que compra sempre. Não adianta emprestarmos um grande montante e ele não conseguir pagar, ficar inadimplente e nunca mais comprar. É um trabalho que precisa ser feito dos dois lados: o consumidor tem que saber quando e para que solicitar crédito e quem concede precisa saber para quem, quanto e em que condições emprestar”.

Consumidores mais conscientes

Caffarelli disse ainda que, atualmente, os consumidores brasileiros estão mais conscientes na hora da compra financiada.

“Antes o que importava era se a parcela cabia no bolso. Víamos as pessoas parcelarem o carro, a casa, a geladeira e comprometer todo o orçamento mensal. Mas se elas passavam por um imprevisto, não conseguiam honrar as dívidas assumidas, ficavam inadimplentes e se atrapalhavam todas. Mas hoje eu percebo que elas avaliam não só se cabe no bolso. Elas estão mais críticas em relação ao preço, condições de venda e atributos que a loja oferece nesse processo de venda. E, sem dúvida, um consumidor mais consciente é o primeiro passo para um crédito sustentável”.

O presidente da Losango finaliza: “sempre digo que o importante é ter os sonhos na Lua, mas ter os pés no chão”.

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