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28/04/2010 - 07h12

Copom: mercado aposta em início do aperto monetário com alta de 50 pb na Selic

SÃO PAULO - Após cinco reuniões consecutivas de manutenção da taxa de juros brasileira em 8,75% ao ano, o mercado está certo de que o Copom (Comitê de Política Monetária) irá elevar a Selic no encontro que terminará nesta quarta-feira (28). A pergunta, agora, é em quanto. E é aqui também que acaba o consenso. Embora boa parte dos analistas indique alta de 0,5 ponto percentual, elevando a taxa para 9,25% ao ano, há os que não descartam um possível aumento mais brusco, de 0,75 p.p. 

De acordo com o relatório Focus publicado nesta segunda-feira (26), a mediana das estimativas indica um aumento de 50 pontos-base. Para o Bank of America Merrill Lynch, existem similaridades entre o ciclo de aperto monetário realizado em 2008 e o atual, e por isso o banco já acreditava anteriormente que a taxa só seria elevada agora em abril, enquanto parte do mercado projetava um aumento na reunião anterior, em março. 

Entre os sinais, está o uso de linguagem idêntica nos comunicados ao ciclo de aperto realizado em 2008. Para reforçar essa percepção, o BofA utiliza o Relatório de Inflação divulgado no final de março, em que o BC explicou que havia desenhado em dezembro sua estratégia de aperto monetário, com início em abril, após a normalização dos requerimentos de capital. 

Por outro lado, vale lembrar que na última reunião não houve consenso entre os membros do Copom, e a votação contou com 5 votos a favor da manutenção e três pela elevação da taxa em 50 pontos-base. Para o BofA, no entanto, a intenção de alguns membros em antecipar o calendário evidencia que o início do ajuste seria marcado por uma alta de 0,5 ponto percentual, de qualquer modo.

Dosar o remédio

Já o Morgan Stanley, que trabalha com a mesma estimativa para essa reunião, a elevação mais moderada é fruto da sensação do Banco Central de que o aperto não será tão estrito, e por isso a autoridade monetária prefere "dosar o remédio em doses modestas", analisa Marcelo Carvalho, responsável pelo relatório do banco. 

Por outro lado, Carvalho não projeta um cenário tão acomodativo, com a inflação pressionada pela demanda e os preços dos serviços já acima dos 6%, o que merece atenção. Sem possibilidade de um aperto fiscal em ano de eleição, o ajuste de contas ficará principalmente com o Banco Central, projeta o Morgan Stanley. 

Assim, o ciclo total de aperto monetário seria de 400 pontos-base até a metade de 2011, com a taxa terminando este ano em 11,50% ao ano. Por outro lado, a Ativa Corretora expõe que, de acordo com o mesmo documento, um aumento de 250 pontos-base ao longo do ano seria suficiente para manter a inflação em 2011 próxima do centro da meta, que é de 4,5%. 

Risco inflacionário

Com a saída de Mario Mesquita do comitê, a Ativa avalia que a qualidade técnica diminuiu, o que torna a decisão de aumentar a Selic em 75 pontos-base mais improvável, apesar de esta ser a decisão considerada correta pela corretora, levando em conta o cenário corrente de inflação e de expectativas. 

Já o Credit Suisse, na contramão do mercado, julga que o "risco inflacionário atual não exige choque de juros", tal qual o mercado sugere. Embora sem especificar exatamente o que a expressão quantifica, Meirelles assustou os analistas mais moderados ao avisar que o BC dará uma "paulada" nos juros. 

Nesse sentido, o Bank of America lembra que Meirelles já avisou que o banco está mais focado na perspectiva de inflação para 2011 do que para 2010 propriamente. Por sua vez, o Bradesco relembra um outro ponto que deve estar no radar do Banco Central: a atividade econômica, que vem mostrando melhora significativa nos dados.

O Barclays também dá a mesma justificativa em sua previsão de elevação da taxa em 0,75 ponto percentual, com a Selic em 11,75% ao ano no final de 2010, na perspectiva de um ciclo mais "rápido e intenso". O banco aponta a necessidade de readequar as taxas dos contratos futuros de médio e longo prazo, que apresentam elevações fortes, como um dos outros motivos para essa revisão. 

Credibilidade em risco?

Para o Credit Suisse, um aumento dessa magnitude não é necessário, e é mais correto implementar um ciclo mais gradual de alta de juros, de forma a dar tempo para a autoridade monetária verificar os efeitos da tomada de atitude.

Outra argumentação recorrente é a de que a credibilidade do Banco Central foi afetada por sua decisão de não elevar a taxa de juros em março, quando a situação inflacionária do País já dava abertura para tal movimento. O Credit Suisse avalia que isso não está em risco, já que no histórico de tomada de decisões da autoridade monetária não há ressalvas relevantes, "mesmo quando foram diferentes do apreçado na curva de juros ou da avaliação da maioria". 

O próprio Henrique Meirelles veio a público nesta terça-feira afirmar que decisões em torno da Selic são tomadas de maneira independente por cada um dos componentes do Copom. "O que existe é uma decisão técnica, individual. A grande importância do presidente do Banco Central, entre outras, é assegurar e demandar essa independência decisória de cada diretor".

Confira aqui as perspectivas dos analistas consultados pela InfoMoney:

Instituição Previsão
Rosenberg & Associados

Aumento de 75 pontos-base
Ativa Aumento de 50 pontos-base
Tendências Consultoria

Aumento de 50 pontos-base
Bradesco

Aumento de 75 pontos-base
Morgan Stanley

Aumento de 50 pontos-base
Bank of America Merrill Lynch

Aumento de 50 pontos-base
LCA Consultores

Aumento de 75 pontos-base
Barclays

Aumento de 75 pontos-base
Banco Schahin

Aumento de 50 pontos-base
Credit Suisse Aumento de 50 pontos-base

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