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28/04/2010 - 13h06

Crédito é muito caro e não interessa a todos, diz Serasa

SÃO PAULO - Por mais que o crédito esteja crescendo atualmente no Brasil, e os consumidores - com salários maiores e com mais segurança em seus empregos - estejam mais tranquilos para assumir a contratação de um financiamento, ainda há brasileiros que preferem, ao invés de tomar crédito, juntar o dinheiro e fazer a compra que deseja à vista, mesmo que demore muito mais para ter em mãos o objeto que deseje. A jornalista Mônica Waldvogel é uma dessas pessoas.

"Só o meu primeiro apartamento eu financiei. Hoje, para trocar de carro, televisão ou geladeira espero ter o dinheiro na mão", contou durante debate no CCMCC 2010 (Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento).

Para o Presidente da Unidade de Negócios Pessoa Física da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, isso acontece porque o crédito ainda é muito caro. "Com a poupança trazendo bom rendimento, quem tem condições de poupar e tem paciência para esperar para comprar, tem mesmo que fazer como a Mônica e não pagar as taxas altas".

Qualidade de concessão

Loureiro explica que, atualmente, o grande problema das altas taxas de juro está na eficiência da concessão.

"O endividamento cresce 30%. Isso não é ruim, desde que esse endividamento não se transforme em inadimplência. Hoje pagamos caro por concessões mal feitas no passado. Por isso sou obrigado a voltar em um assunto que já está batido, mas é muito importante para conseguirmos dar crédito a quem prefere poupar, a implantação do cadastro positivo".

Segundo o presidente, 62% dos tomadores de crédito teriam taxas menores de juros se fosse avaliado apenas o risco que eles oferecem como pagadores e não o risco de todos que tomam crédito. "Mesmo que a Mônica seja uma boa pagadora, eu não tenho essa certeza e ela paga pelos maus pagadores. Só com o cadastro positivo será possível avaliar especificamente a Mônica e oferecer taxas menores, se concluirmos que ela é realmente uma boa pagadora. Dessa forma conseguimos um crédito sustentável", exemplifica.

O executivo finaliza dizendo que essa é atualmente a maior barreira para que o Brasil não alcance montantes de crédito semelhantes aos de países como os EUA, onde o dinheiro para empréstimo corresponde a 150% do PIB. "Temos que tornar o crédito atrativo para todos, até para os que conseguem poupar para comprar. Hoje há muita gente que aceita crédito caro, mas já há muita gente que questiona. Sem falar que o crédito caro não é justo com os bons pagadores".

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