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28/04/2010 - 11h51

Integração e nova bandeira favorecem BB e Bradesco, apontam analistas

SÃO PAULO – A parceria anunciada na última terça-feira (27) entre Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) para integrar suas operações de cartão de crédito é vista como positiva pelos analistas do Citigroup e da Ativa Corretora.

“Unindo seus negócios de cartão, o Banco do Brasil e o Bradesco, que já são os maiores emissores do país, serão líderes incontestáveis neste segmento”, fala a equipe de análise do Citi.

O research do Citi destaca ainda que o acordo permite o aproveitamento das vantagens que a escala pode trazer, como redução de custos com marketing, combinação de esforços de vendas que geram mais receita, poder de barganha (importante em negociações com grandes varejistas para a criação de uma nova bandeira) e também ganhos de eficiência com um back office compartilhado.

“Além disso, o lançamento de uma nova bandeira de cartões pelos bancos que já tem a maior rede de distribuição do país irá, sem dúvida, gerar mais lucro com juros e taxas para as instituições financeiras”, comentam os analistas.

O Citi projeta um preço-alvo de R$ 38,25 para os papéis do BB, o que permite um potencial de valorização de 32,58%. Já para as ações do Bradesco e Cielo (CIEL3), os preços-justos estimados são de R$ 38,50 e R$ 21,50, respectivamente. Assim, o upside dos dois é de 25,40% e 28,74%.

Nacional

De mesma opinião compartilha o time de análise da Ativa Corretora. Para ele, a notícia é positiva para o BB, Bradesco e Cielo, mas é negativa para a Redecard,

“No caso dos bancos, estes uniriam suas operações, ganhando mais musculatura para competir, através da otimização das suas curvas de aprendizado, enxugamento da estrutura atual, redução de custos e consequente auferimento de sinergias”, destacam.

Outro ponto importante na visão da Ativa é a bandeira ser nacional, caso a holding anunciada seja aprovada e as operações de cartões dos bancos efetivamente integradas.

“Com uma bandeira nacional, os bancos não mais ficariam expostos ao risco direcionado de imposição das taxas cobradas pelas bandeiras internacionais, além de tornar a operação menos custosa para os bancos, já que operações com cartões private label, por exemplo, não têm necessidade de serem realizadas por bandeiras internacionais”, acrescenta a corretora.

Cielo e Redecard

Por ser controlada pelo BB e pelo Bradesco, a Cielo acabaria sendo beneficiada pelo acordo, na visão dos analistas da Ativa. Entretanto, para a Redecard (RDCD3), acreditam que a criação da holding em questão seria negativa, uma vez que esta possui apenas o Itaú Unibanco como controlador, que por sua vez não poderá desfrutar de acordo semelhante.

Assim, não obteria as vantagens de sinergias, além de possuir menor capilaridade do que seus concorrentes, o que torna ainda mais difícil a competição para a Redecard em um cenário de acirramento da concorrência.

Deste modo, a Ativa mantém sua recomendação de “neutra” para a Redecard e Cielo, com preço-alvo de R$ 34,21 (potencial teórico de valorização de 17%) e R$ 20,26 (+22%), respectivamente, dadas as incertezas relacionadas à regulamentação setorial.

Já para as ações do Bradesco, a Ativa recomenda compra e estima um preço-alvo de R$ 41,49 (upside de 33% em relação ao último fechamento). “Acreditarmos que o banco encontra-se bem posicionado para se beneficiar do cenário de recuperação aguardado para a industria bancária ao longo desse ano”, conclui.

Veja mais sobre o assunto:

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