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28/04/2010 - 15h15

Prazos longos de financiamento nem sempre são bons, diz empresário

SÃO PAULO – Embora os prazos de financiamento alongados tenham o objetivo de atrair mais consumidores, nem todos os empresários concordam com essa tática. O diretor-geral da Ri Happy Brinquedos, Ricardo Sayon, é um deles.

“Sei que muitas pessoas só conseguem ter acesso a alguns produtos, se comprarem por meio do financiamento prolongado, e alguns produtos, como carros e imóveis, realmente precisam desses prazos. Mas hoje li uma manchete no jornal que me assustou. Dizia que consumidores iam poder comprar o presente do Dia das Mães em 48 vezes. Eu tenho pena da mãe que vai ganhar esse presente, porque, se continuar nesse ritmo, em 10 anos, o filho dela estará tão atrapalhado com essas dívidas, que ela não será mais presenteada”.

Menos empréstimos

Sayon afirma ainda que não é contra o crédito, mas diz que o crédito no Brasil é dado para pessoas erradas.

“Atualmente se oferece crédito para quem não merece. Isso acontece porque, pela primeira vez em 60 anos, vivemos anos encantados, de economia estável. Mas acho que há um risco grande em oferecermos crédito para esse monte de consumidores que estão entrando no mercado. E, como sou médico por formação, prefiro trabalhar com risco zero”, explicou, durante debate no CCMCC 2010 (Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento)..

E completa: “ e essas concessões mal feitas atrapalham toda a população. Costumo dizer que crédito é igual a imposto: extremamente caro, porque poucos pagam e os que pagam pagam pelos que não pagam”.

Para finalizar, o empresário dá um exemplo de como o crédito no Brasil é dado sem muito critério. “O filho de uma funcionária minha comprou um carro zero no mesmo mês em que foi admitido em uma empresa. A justificativa é de que era uma boa empresa e ele conseguiria pagar. Três meses depois, ele foi demitido. Após três meses sem conseguir pagar as parcelas, ele veio me pedir um empréstimo. Perguntei a ele se não era melhor vender o veículo. Ele me respondeu: se eu vender, não pago nem 60% da minha dívida. Então, eu concluo que, se isso não é subprime, eu não sei o que esse termo quer dizer”.

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