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04/05/2010 - 18h05

Da renda fixa à variável: como acompanhar de forma adequada os investimentos?

SÃO PAULO – Não basta investir, é preciso acompanhar as aplicações financeiras, por mais que você tenha confiança em quem está gerindo o dinheiro e por mais que você não tenha tempo, devido à rotina intensa de trabalho. Mas como fazer esse acompanhamento de forma adequada?

De acordo com o professor e educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil, em primeiro lugar, é preciso ter um parâmetro ou um objetivo. Somente assim, a pessoa saberá “se está indo bem ou mal em seus investimentos”.

Além disso, ela precisa acompanhar o noticiário sobre economia e negócios, para avaliar possíveis riscos aos seus investimentos, e ficar atenta a novas oportunidades de investimento.

“A informação é o combustível para o mercado. A pessoa tem de saber interpretá-la”, afirmou. “Semana passada teve aumento da Selic. Se a pessoa tem um investimento pré-fixado, então pode passar para o pós-fixado, devido ao novo cenário”, destacou, em relação às expectativas do mercado de novos aumentos no juro básico pelo Copom (Comitê de Política Monetária).

Para cada modalidade, uma dica

A professora da FGV (Fundação Getulio Vargas), Myrian Lund, concorda que é preciso ter uma referência. Confira as dicas dadas por ela a quem vai investir em diversas modalidades, para poder acompanhar melhor as aplicações:

  • Bolsa de valores: a referência mais usada, neste caso, é o Ibovespa – índice que reúne as ações mais líquidas na bolsa -, o que significa que o investidor deve buscar um resultado o mais próximo possível dele. Em relação às notícias que influenciam a bolsa, a professora afirmou que elas devem ser mais consideradas por quem opera diariamente. “O charme da bolsa é essa volatilidade, mas o vai-e-vem diário não deve afetar o investidor de longo prazo”.
  • Fundos conservadores (curto prazo, DI e renda fixa): giram em torno da taxa básica da economia, a Selic, que hoje está em 9,5% ao ano. “Quando estou no fundo conservador, tenho de acompanhar a taxa de administração, para ver o quanto estou ganhando do CDI. Veja na instituição financeira se há outros fundos que dão ganhos maiores”.
  • Fundo multimercado: “É uma renda fixa com pimenta”, afirmou Myrian, citando as outras opções que podem entrar neste fundo, como câmbio e renda variável. “Só justifica entrar nele se ganha mais do que o CDI”, disse, tendo em vista o risco a que a pessoa está exposta, ao diversificar.
  • Fundos de ações: o acompanhamento deve ser no sentido de analisar se esse investimento está rendendo acima do Ibovespa; senão, é melhor ir direto à bolsa. Porém, como a bolsa sobe e desce diariamente, é preciso analisar os resultados de longo prazo
Renda fixa

De acordo com Calil, de forma mais simplificada, quem está na renda variável precisa ficar de olho no Ibovespa e quem está em renda fixa deve acompanhar seus investimentos com base na taxa básica da economia.

“Tem de buscar 100% do CDI. Isso, com o Tesouro Direto ou as debêntures, você consegue com tranquilidade. Você consegue até superar. Tem CDBs que pagam 102% do CDI, por exemplo, porém, você tem um risco institucional. Mas, se for uma debênture, o risco é menor e o problema, neste caso, é a liquidez”, explicou.

Enfim, segundo ele disse, o acompanhamento deve ser feito de perto, mas o investidor não pode ter pressa – característica do brasileiro, devido à memória do momento inflacionário no País - para ter ganhos, pois as boas aplicações financeiras demoram a maturar.

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