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05/05/2010 - 18h18

Casa ou apartamento? Confira os fatores que vão influenciar a escolha

SÃO PAULO – Casa ou apartamento? Antes de iniciar a procura por algum imóvel para alugar ou comprar, são poucos os que pensam na resposta a essa questão. Para evitar transtornos ou possíveis arrependimentos, coloque no papel as suas necessidades e veja as principais diferenças entre esses dois tipos de imóveis.

Para Hilton Pecorari, diretor de Locação Residencial do Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo) e José Augusto Viana Neto, do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), um fator que, muitas vezes, define a escolha é o que pesa no bolso: o valor do condomínio. “O condomínio é um ponto relevante, porque tudo aumenta, principalmente o valor da mão-de-obra”, afirma Pecorari.

Outro fator, aparentemente unânime, é a percepção de que condomínios são mais seguros e casas mais vulneráveis. “O problema é que ultimamente o número de assaltos que tem ocorrido em prédios é muito grande”, reflete Neto. Pecorari, por outro lado, não questiona essa ideia. “Em uma casa, você está mais vulnerável”.

Segurança e valor do condomínio são, de fato, pontos importantes e pesam muito na hora da escolha. Ainda assim, os especialistas ouvidos acreditam que outros elementos devem ser levados em conta. As necessidades, aliadas ao perfil do futuro inquilino ou comprador, estão entre eles. E qualquer ponto pode definir a escolha entre casa e apartamento – até o seu animalzinho de estimação.

Uma questão bem pessoal

Um jovem solteiro e recém-formado não tem as mesmas necessidades que um idoso, com carreira estabilizada, ou uma família grande ou pequena. “Na hora de escolher, você precisa ver qual o objetivo dessa locação ou compra”, acredita Neto. Pecorari concorda e traça possíveis perfis para orientar escolha:

Solteiro e jovem: “a melhor opção para um jovem em início de carreira é um apartamento, porque, geralmente, ele passa boa parte do dia fora de casa”, diz o especialista. O diretor de locação do Secovi-SP explica que, nesses casos, ficar muito tempo fora de uma casa pode não ser muito seguro. Além, disso um apartamento pode ser mais prático para um solteiro do que uma casa, até mesmo para mantê-lo limpo. Sem contar que, hoje, muitos condomínios oferecem serviços que, para um solteiro, podem ajudá-lo a manter a rotina organizada, como lavanderias, por exemplo. “Isso para um solteiro é excelente”, enfatiza Pecorari.

Recém-casados: um casal recém-casado tem prioridades diferentes das de uma família já constituída. Normalmente, explica Pecorari, esses casais são novos e recém-formados. A prioridade, então, é planejar a carreira, viajar, encontrar os amigos e curtir a vida. Então, para o especialista, o ideal seria um apartamento, pelos mesmos motivos que levam uma pessoa solteira a escolher um.

Família em formação:  mas, se o plano é ter logo um filho, o cenário muda. Mesmo para famílias pequenas, com apenas uma criança, Pecorari acredita que a casa seria mais interessante. “Até por conta do espaço”, diz. Ele lembra, porém, que muitos condomínios oferecem instrumentos completos para entreter os pequenos. Daí, a escolha deve obedecer outros critérios como localização, serviços disponíveis em torno do imóvel e segurança.

Família constituída: eles podem ser três, quatro, cinco integrantes. Uma família grande requer grandes espaços e locais com muitas farmácias, restaurantes e supermercados por perto. “Nesse caso, não tem muito jeito, a casa seria o ideal mesmo”, comenta Pecorari. O motivo principal é o espaço. Por mais modernos que sejam, dificilmente os novos prédios têm espaço para comportar tanta gente como uma casa.

Meu pet: pequeno ou grande, cão ou gato. Não importa, quem tem bichos de estimação sabe que eles gostam de espaço para fazer aquela bagunça. Então, nada de deixar o bichinho estressado: prefira uma casa. Além do amor pelo pet, outros pontos devem ser vistos. O especialista explica que dificilmente um dono de cachorro, por exemplo, não terá problemas em condomínios. “Via de regra, nada impede que você crie um cachorro em um apartamento”, afirma Pecorari. Mas vida em condomínio tem regras que, normalmente seu bichinho não vai obedecer, mesmo que você queira. “Para evitar problemas e ficar mais tranquilo, o melhor mesmo é uma casa”.

Na melhor idade: idosos, aposentados ou não, precisam analisar os detalhes na hora de escolher entre uma casa ou um apartamento. “Para eles, um apartamento seria mais seguro”, diz o especialista. Porém, se não for morar sozinho, dá para optar pela casa, mas o imóvel deve ser térreo. Em condomínios, ele deve notar se há obstáculos que possam atrapalhar sua passagem. Prédios antigos e pequenos não são aconselháveis, porque, de maneira geral, não têm porteiro nem elevadores.

Apesar de traçar esses perfis, o especialista é enfático ao dizer que não dá para definir e escolha com base nesses critérios de modo absoluto. “Têm casos e casos”, diz, ressaltando que os perfis analisados dessa forma nem sempre são determinantes. Para Pecorari, na resolução dessa questão também entram questões de gosto, criação...e de bolso também.

É certo que, a princípio, morar em prédio requer uma renda um pouco maior que viver em uma casa. Mas essa situação pode se inverter. “A longo prazo, a casa gera mais manutenção que o apartamento”, afirma Percorari. Ele explica que manutenção de telhados, por exemplo, pode pesar muito no bolso. Sem contar outros detalhes, como encanamento e eletricidade, que ficam todos por conta do dono da casa. Já em um apartamento, gastos com manutenção, exceto os feitos no interior do imóvel, já estão cobertos pelo valor do condomínio.

Já Neto, do Creci-SP, também aponta para um detalhe importante: "em uma casa, você tem mais privacidade". Em um apartamento, por sua vez, seu comportamento nas áreas comuns estará constantemente vigiado pelas câmeras de segurança. Sem contar que, se você não gostar de algo por lá, sozinho não consegue mudar nada. "Em um condomínio, o que está decidido, está decidido, não importa se você não gostou do jardim, se você acha que a manutenção na piscina não é importante", afirma Neto.

Para pensar antes de encontrar a resposta da questão

Para Pecorari, antes de analisar as diferenças entre apartamento e casa, o futuro inquilino ou comprador do imóvel deve traçar estratégias iniciais básicas.

A primeira é verificar a região onde quer morar. “O ideal é que seja perto do trabalho ou da faculdade, se for o caso”, afirma. Esse quesito é muito importante, principalmente em grandes cidades, como São Paulo, onde se gasta muito tempo para se deslocar. Para aqueles que podem, Pecorari até sugere locar o imóvel que se pretende comprar. “A experiência pode ser interessante para que não haja arrependimentos da compra”, diz.

Analisar a região e verificar tudo o que está em torno do imóvel também são atitudes importantes a tomar. Elementos que, a princípio, parecem simples, como as feiras de rua, podem causar grandes transtornos, como explica Neto. “Feiras podem impedir o acesso de veículos e até de pessoas”, diz.

Os especialistas também recomendam que, na hora de buscar um corretor, a pessoa recorra a recomendações e indicações de pessoas confiáveis, para fazer um bom negócio.

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