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05/05/2010 - 08h00

IPC: alimentos, roupas e remédios não pressionarão mais o índice, diz Fipe

SÃO PAULO - Pressionado pelos grupos alimentação, saúde e vestuário o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) fechou o mês de abril em alta de 0,39%. O resultado é maior do que o verificado em março (0,34%).

Porém, esses grupos não devem continuar pressionando o índice. "Não acho que vá acontecer. Esse aumento do vestuário é sazonal. Os remédios ainda influenciarão no mês de maio, mas pouco. E o feijão já começou a arrefecer a pressão. O grupo alimentação no próximo mês não deve aumentar, por isso, estou esperando que em maio o IPC feche em 0,30%", afirma o coordenador do índice, Antonio Evaldo Comune.

Alimentação, saúde e vestuário

"Nesses três grupos já esperávamos aumento no mês de abril. A maior surpresa foi o feijão, que aumentou bastante. O feijão teve uma alta de mais de 50% neste mês de abril. Essa alta fez com que os alimentos tivessem uma inflação de mais de 1%. Para se ter uma idéia, dessa inflação de 0,39% resgistrada pelo IPC, 0,20% se deve ao feijão", conta.

Sobre a aceleração nos grupos saúde (de 0,14% para 0,98%) e vestuário (de 0,44% para 0,74%), Comune conta que já era esperada. "Abril é um mês tradicional de aumento no preço dos remédios, por isso, o aumento em saúde. Mas esse é um fato conhecido e esperado do mercado e até que, neste ano, pressionou menos do que imaginávamos", conta.

Já sobre o grupo vestuário, o professor comenta: "esse é um aumento normal, porque, quando entra a coleção outono-invesno nas lojas, é normal que haja uma atualização de preços. Então, tradicionalmente no início do inverno, o vestuário pressiona um pouco o índice. Porém, vale ressaltar que esse é um grupo que nos últimos anos tem crescido abaixo da inflação. Isso se deve ao efeito China, que inunda nosso mercado com roupas baratas e obriga os produtores e vendedores a segurar o preço".

Perspectivas

Questionado se há algum grupo que possa elevar os preços nos próximos meses, o economista diz que apenas a renda e a demanda podem pressionar a inflação. "Essas pressões específicas, feijão, remédios, não devem perdurar. O que podemos ter é uma demanda maior que a oferta, porque a economia pode não dar conta de atender toda a demanda por bens e aí nós teremos uma pressão inflacionária geral".

Por fim, Comune afirmou que, para os próximos meses, estima altas consecutivas de 0,30%. Assim, a perspectiva é de que, ao final de 2010, o IPC-Fipe esteja em 5,30%.

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