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05/05/2010 - 12h05

Redução da desigualdade de renda não foi afetada por crise econômica, revela Ipea

SÃO PAULO – O rendimento real dos trabalhadores foi fortemente afetado pela crise econômica mundial. E as soluções adotadas para reduzir os impactos da turbulência em muitos setores da economia brasileira, baseadas no fortalecimento da produtividade, têm favorecido mais os detentores dessa produção.

Apesar disso, estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que a redução na desigualdade da distribuição da renda ainda não foi afetada e segue em trajetória decrescente.

Condicionantes

O estudo “Distribuição funcional da renda pré e pós-crise internacional no Brasil”, divulgado nesta quarta-feira (5), aponta quatro fatores determinantes para a distribuição favorável de renda: rendimento médio real dos ocupados, nível de ocupação da força de trabalho, produtividade do trabalho e PIB (Produto Interno Bruto).

Com a crise, esses componentes foram afetados de modo distintos. Nos últimos três meses de 2008, na comparação com o período imediatamente anterior, houve aumento de 2% na remuneração média real do trabalhador e de 0,5% no nível de ocupação. Porém, essas elevações não foram suficientes para aumentar a participação da renda do trabalho na renda nacional, uma vez que houve forte queda, de 4,1%, na produtividade do trabalho, e de 3,6% no PIB.

E, apesar da recuperação do PIB ao longo de 2009, com aumento de 4,5%, e da produtividade, que cresceu 3,8% no mesmo período, a remuneração média real do trabalhador e o nível de ocupação cresceram menos, 0,7%. Isso fez com que, na conta final, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional regredisse 2,9%.

Em meio à recuperação da economia, houve forte aumento da produtividade do trabalho. No entanto, os dados do estudo mostram que o rendimento real do trabalhador e o nível de ocupação não estão crescendo no mesmo ritmo.

Com isso, a participação relativa do rendimento gerado pelo trabalho na renda nacional é menor que a verificada no cenário pré-crise. Segundo o estudo, a participação relativa do rendimento do trabalho na renda nacional seguiu trajetória crescente até o último trimestre de 2008. Na passagem para os primeiros três meses de 2009, essa participação cresceu 6,3%, mas passando a cair.

Favorecidos

De acordo com o estudo, mesmo com a elevação do PIB e da produtividade, o rendimento do trabalho não aumentou no mesmo ritmo. Segundo o Ipea, a política de fortalecimento da produção tem favorecido mais os rendimentos dos detentores de propriedade. “A consequência direta tem sido a redução relativa da participação do rendimento do trabalho na renda nacional”, dizem os pesquisadores.

Por outro lado, esse favorecimento ainda não afeta o movimento da desigualdade na distribuição de renda, que permaneceu em queda, mesmo durante a crise, chegando a recuar 1,8% entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009.

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