UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

06/05/2010 - 15h42

Financeiras ampliam prazo do crédito pouco antes do Dia das Mães

SÃO PAULO – A proximidade do Dia das Mães fez com que algumas instituições financeiras ampliassem o prazo de pagamento de suas linhas de crédito.

Na Losango, por exemplo, desde 22 de abril, o prazo do crédito pessoal foi ampliado de 15 para 24 meses. Embora a companhia não tenha como padrão alterar suas condições para essa data específica, ela confirma que a maior demanda de consumo para a data a levou a realizar a campanha, cuja adoção depende do lojista.

Entre cartões, CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e empréstimo pessoal, a Losango reservou R$ 100 milhões para a semana das mães, visando um crescimento de 10% nas vendas sobre o resultado no mesmo período de 2009.

Já o Bradesco ampliou de 36 para 40 meses o prazo do financiamento do crédito pessoal. A oferta tem sido vinculada ao presente do Dia das Mães. O Panamericano, por sua vez, realizou sua expansão no prazo ainda em janeiro deste ano: de 24 para 36 meses, no crédito pessoal.

Economia favorável = mais crédito

O vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro de Oliveira, afirma que o Dia das Mães tem sido usado como pretexto para a ampliação no prazo de crédito. “Usa-se o Dia das Mães como argumento, mas o objetivo é emprestar mais dinheiro, porque o momento econômico é favorável financeiramente e o país está crescendo”, declarou.

O especialista explica que o recente crescimento no consumo ocorrido com a queda na inadimplência “dá mais conforto ao banco para emprestar”, pois as instituições ampliam a oferta de crédito quando veem menos riscos. “Quando há retração econômica, eles reduzem os prazos. Quando olho para frente, vejo que o tempo está bom, falo: compre seu presente parcelado”, comentou.

Para Oliveira, o Dia das Mães também foi usado para essa ampliação nos prazos do crédito por ser esta a segunda melhor data do ano para o comércio, perdendo apenas para o consumo do Natal. Porém, a facilidade do crédito só deve aumentar ao longo deste ano.

“Se fosse só o crédito para o Dia das Mães, as ofertas estariam ligadas ao consumo de bens. Mas as facilidades estão aumentando em todas as modalidades. No financiamento imobiliário, no crédito consignado, no crédito pessoal, nas compras com cartões de crédito”, declarou. Até cinco meses atrás, as compras sem juros com cartão de crédito iam até 17 meses, no máximo. “Agora já estamos vendo parcelamentos em 24 vezes. Não é só para o presente da mãe”.

Pré-crise

Miguel de Oliveira acrescenta que a oferta de crédito já voltou aos patamares pré-crise em quase todas as vertentes. Os prazos, encurtados na crise, já voltaram a ser ampliados, bem como as taxas de juros, elevadas durante o período de recessão, já alcançaram níveis inferiores às ampliadas antes da quebra do Lehman Brothers, estopim da crise, em setembro de 2008.

Os critérios mais rigorosos adotados para a oferta de crédito, por sua vez, já começaram a ser afrouxados. “Agora os bancos definitivamente estão emprestando mais, não seguram mais crédito”, disse Oliveira.

Segundo ele, apenas o prazo do financiamento imobiliário, que chegava a 80 meses antes da crise, ainda não voltou ao mesmo patamar – o prazo médio nesse segmento está em 64 meses.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host