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06/05/2010 - 08h00

Promoções neutralizam alta de preço de TV em anos de Copa

SÃO PAULO – Em anos de Copa do Mundo, as promoções feitas pelos varejistas contêm a alta de preços de televisores que poderia ser causada pelo aumento de demanda pelos aparelhos.

“Por hipótese, devem surgir tantas promoções que um efeito elimina o outro”, explicou o economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), André Braz.

O período de compra dos televisores para acompanhar o evento mundial costuma ser em maio e junho. Nos anos de Copa do Mundo, o que se nota é que os preços dos aparelhos oscilam pouco neste período.

Movimento dos preços

Em 1998, os preços variaram 0,14% em maio e 1,29% em junho. Naquele ano, enquanto as vendas industriais de TV ficaram entre 300 e 400 mil, nos meses de maio (691.794) e de junho (604.176) o volume superou os 600 mil, segundo dados da Eletros (Associação Brasileira de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos).

Em 2002, a variação de preços foi de 0,46% e 1,07% nos meses de maio e de junho, quando as vendas ficaram em 527.053 e 454.367 unidades, também picos de vendas industriais para o ano.

Em 2006, os televisores ficaram 2,95% e 1,18% mais baratos em maio e junho. “O lançamento de novas tecnologias tende a baratear os produtos mais antigos”, disse Braz, em relação às quedas de preços em alguns momentos.

Copa da África

Em 2010, uma pesquisa realizada pela Serasa Experian mostrou que 66% dos varejistas pretendem fazer promoções no período da Copa, com destaque para as médias empresas e as da região Nordeste.

Os produtos mais procurados serão artigos para torcida, indicados por 53% dos varejistas, seguidos de TV de alta definição (22%), bebidas em geral (16%), TV convencional (4%) e eletrônicos (15).

De acordo com o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida, neste ano, os preços dos televisores não devem apresentar tantas oscilações, a exemplo dos anos anteriores de Copa.

“Em ambiente com o consumidor mais endividado, não tem como repassar preços, a não ser que faltem televisores, o que não acredito que possa acontecer. A indústria está em plena capacidade”.

O endividamento do consumidor, de acordo com ele, acontece devido aos incentivos fiscais dados pelo governo durante a crise econômica, a exemplo da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a compra de carros, materiais de construção e móveis.

Neste ano, os preços dos televisores caíram 0,06% em janeiro e 0,21% em fevereiro, além de terem ficado praticamente estáveis em março (0,06%). A partir do Dia das Mães, segundo Almeida, os consumidores começam a pensar nas aquisições para a Copa da África do Sul.

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