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06/05/2010 - 14h59

Resultado da Vale rende elogio a controle de custos e crítica a volumes negociados

SÃO PAULO – A Vale (VALE3, VALE5) revelou na última quarta-feira (5) seu resultado no primeiro trimestre, quando mostrou lucro líquido de R$ 2,879 bilhões - 6,3% a mais do que o visto nos 3 últimos meses de 2009, e uma queda de 8,6% na comparação anual. Em referência aos números relatados, JPMorgan Chase, Itaú Corretora, Gradual, Link Investimentos e Ativa divulgaram seus pareceres, ao analisarem os indicadores operacionais e delinear os prospectos para a mineradora.

Para os analistas Rodolfo de Angele e Mandeep Manihani, do JPMorgan, os custos da mineradora foram menores devido aos seguintes fatores: (1) desvalorização do real; (2) menores despesas com manutenção e (3) redução dos dispêndios com pessoal. “Além disso, o Ebitda ajustado (geração operacional de caixa ajustada por itens não recorrentes) cresceu 35% na base trimestral para R$ 2,978 bilhões”, completam os analistas, que se surpreenderam positivamente com o número, 13% acima do que previam.

No entanto, os volumes comercializados de minério de ferro e de níquel desapontaram as projeções do banco, embora a queda relatada na passagem trimestral tenha sido causada por eventos inesperados. O recuo do volume de minério vendido foi causado por manutenções no sistema e chuvas, enquanto o segundo deve-se às greves nas operações do Canadá.

O JPMorgan avalia também o novo sistema de preços da mineradora, a começar neste segundo trimestre, no qual haverá aumento de 90% em relação aos preços vigentes no último ano e avanço de 65% na comparação com os praticados nos três primeiros meses de 2010.

“Cada 10% de aumento significa mais US$ 1 bilhão no Ebitda anual”, estimam os analistas, que listam recomendação overweight (alocação acima da média do portfólio) para os ADRs (American Depositary Receipts), com preço-alvo de US$ 45,00 - upside 59,4% no confronto com o último fechamento.     

Custos menores, com demanda em alta

A Itaú Corretora enxergou o resultado da mineradora com viés neutro, visto que os números se alinharam as suas expectativas. Para Marcos Assumpção e Alexandre Miguel, que assinam o relatório da corretora, o controle de custos da Vale foi o principal destaque do resultado, tanto com pessoal quanto nas operações.

“Para o segundo trimestre de 2010, esperamos que o Ebitda e a margem Ebitda (receita líquida sobre geração operacional de caixa) melhorem consideravelmente, ao passo que as vendas da Vale refletirão preços mais altos no mercado spot e volumes em provável ascensão”, completam os analistas.

Encerrando a análise, a Itaú Corretora ressalta que o olhar positivo deverá permanecer em voga, vide que a demanda por metais na China provavelmente permanecerá forte, mesmo com as medidas para conter a bolha imobiliária; além da recente aquisição da mineradora de ativos na África, considerados de alta qualidade.

Os analistas listam recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações PNA da mineradora, com preço-alvo de R$ 62,00 para o final do ano.

Pior que o esperado

Conforme o olhar de Leonardo Alves, analista da Link Investimentos, “o resultado veio pior do que estávamos esperando em relação aos volumes vendidos, porém a companhia conseguiu expandir suas margens, com uma grande redução de custos e despesas”.

Apesar da surpresa negativa, a corretora acredita que as ações da mineradora não deverão responder de forma intensa, visto que a “grande expectativa do mercado está para o resultado do próximo trimestre”.

À frente, o analista acredita que 2010 será um ano de enormes lucros para a Vale, o que fundamenta sua recomendação outperform para as ações, que possuem preço-alvo (com vistas ao final de 2010) de R$ 62,00 – upside de 40,2%.

Marginalmente negativo, dentro das expectativas

A Ativa considerou o resultado “marginalmente negativo”, visto que os volumes de minério de ferro ficaram aquém das expectativas. “Porém o impacto de elevação de preços começou a ser sentido com antecedência, apontando para um aumento médio de quase 165% em relação ao quarto trimestre de 2009, compensando em parte o recuo dos volumes”, discorre Luciana Leocadio, analista da corretora.

Por último, a Gradual Investimentos diz que o resultado veio dentro de sua expectativa. “Os números comprovaram o cenário de recuperação do mercado de minério de ferro e de contínua melhora das margens operacionais”. A corretora lista recomendação de compra às ações preferenciais, com preço-alvo em 12 meses de R$ 57,80 – upside de 30,7%.

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