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12/05/2010 - 10h11

Falta de informação faz com que baixa renda procure crédito em períodos difíceis

 

SÃO PAULO - Embora a procura por crédito por parte dos brasileiros tenha caído em quase todas as faixas de renda no mês de abril, os consumidores de menor renda, cujos ganhos mensais não ultrapassam R$ 500, elevaram a procura. Para o gerente de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, isso acontece porque esses consumidores reagem defasadamente em relação às outras classes.

"No ano passado, quando o País começou a sair da crise, e o crédito começou a tirar o Brasil da recessão, a classe de menor renda foi a que mais demorou para buscar crédito. Enquanto as pessoas que ganham mais já estavam buscando crédito, eles ainda não estavam. E agora estamos vendo o contrário: as classe com maior poder aquisitivo estão diminuindo a demanda, enquanto as com menor poder aquisitivo ainda estão em plena busca", explica.

Para Rabi, isso é um sinal de que esses consumidores possuem menos informações sobre os movimentos da economia. "Talvez porque tenham uma escolaridade menor ou o acesso às informações seja mais difícil. O que acredito é que esse público demora um pouco mais para entender os movimentos da economia, e por isso se comporta de forma diferente das demais classes sociais, que parecem estar mais atentas sobre a melhor forma de agir em determinado momento".

Medo da crise europeia?

Para o economista, a retração na procura de crédito não é um sinal de que os brasileiros estão preocupados que as crises enfrentadas em alguns países da Europa tragam impactos ao Brasil, como aconteceu aos Estados Unidos. 

"Essa é uma crise em que sabe-se claramente onde estão os problemas. Não é igual a dos EUA, que ninguém sabia quem estava envolvido e até aonde os danos iriam. Na Europa, está tudo muito claro e o brasileiro sabe que dificilmente haverá consequências negativas para a nossa economia, que hoje é muito forte".

Ainda segundo Rabi, o que realmente deve fazer com que os brasileiros procurem cada vez menos crédito é o aumento de juros. "Nós trabalhamos com a certeza de que a Selic sofrerá aumentos consecutivos esse ano. E por mais que esses aumentos demorem para chegar aos juros ao consumidor, uma hora eles chegam. Aí vai ficando mais difícil a parcela caber no orçamento, e o consumidor começa a financiar menos suas compras". 

Sobre a menor procura registrada em abril, na comparação com março deste ano, o executivo diz que o motivo é o fim do IPI reduzido. "Muita gente pega crédito para comprar carro. Com o fim do IPI reduzido, já era de se esperar que a procura por crédito caísse", finaliza.

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