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26/05/2010 - 17h40

Como resistir à tentação das vitrines em um passeio no shopping?

SÃO PAULO – Shopping é um centro de consumo, mas se tornou opção de lazer para muitos brasileiros, principalmente para os que vivem em grandes cidades. Nesses verdadeiros paraísos do consumo, um simples passeio com a família pode acabar em compras, muitas vezes, desnecessárias. Como garantir o lazer e resistir à tentação das vitrines? A palavra-chave é autocontrole.

“Se a ideia não é comprar, existem outras alternativas de lazer”, aconselha o especialista em educação financeira Álvaro Modernell. “O melhor é evitar lugares onde a tentação é maior”. Mas, se não houver jeito, existem maneiras de evitar chegar em casa com sacolas cheias, bolso vazio e contas a pagar.

Para o especialista em finanças e diretor da Human Value, Mario Kuniy, psicologia e consumo caminham juntos e o primeiro elemento tem fator determinante no segundo.“O consumo envolve questões emocionais”, avalia. “Mas, se a pessoa não faz uma reflexão se ela pode ou não gastar, perde o controle”.

Criar mecanismos internos de autocontrole, tentar organizar os gastos no final do mês e tentar agir de maneira racional são os principais fatores que os consumidores devem considerar quando estão diante da tentadora vitrine.

“Eu mereço”. Será?

Pode parecer a parte mais simples, mas o autocontrole é a fase mais difícil para os mais impulsivos. “Quando as pessoas estão em um período de estresse, elas acreditam que, indo ao shopping e comprando, vão compensar o desgaste”, explica Kuniy. Aí é quando a velha frase “eu mereço” entra em ação.

São tantos problemas ao longo do dia que aquela visita ao shopping para comprar uma bolsa ou um celular é como se fosse um alívio. “A pessoa pensa que não é um problema, mas ela pode perder o controle”, avalia o especialista.

Quer relaxar depois de um dia difícil? Definitivamente não vá ao shopping. “Se a pessoa for e não puder gastar, ela tem de ter consciência de que é um passeio apenas”, afirma Modernell. Ele explica uma tática para os mais descontrolados.

Se a tentação for forte, entre na loja, experimente a roupa, mas diga obrigada a vendedora, saia e vá dar uma volta. “Nesse momento, ele deve pensar se realmente o que viu é necessário, útil”, avalia Modernell. Para Kuniy, questionar a necessidade do produto é ponto fundamental. “Será que eu preciso mesmo disso? É preciso fazer essa pergunta”, diz. Mas, se você for muito compulsivo, evite a loja e o shopping.

Seu bolso também merece

Consultar o bolso também define a compra. Ele também merece sossego de vez em quando.“Tem gente que está com o cartão de crédito estourado, no cheque especial e ainda quer comprar”, afirma Kuniy. Nesses casos, não existe orçamento que possa sustentar um passeio no shopping.

Mesmo aqueles que não têm uma moeda no bolso podem cair na armadilha dos centros de consumo. E o cartão de crédito entra na história. “É fácil passar o cartão, porque a pessoa não sente o dinheiro sair do bolso”, diz o especialista.

Com a moeda de plástico, o simples impulso pode se transformar em uma bola de dívidas. “Hoje, nós medimos nossos gastos pelo salário que ganhamos e esquecemos dos juros”, lembra Kuniy.

“Para comprar é preciso ter dinheiro, se você tem dinheiro para pagar aquela compra à vista, então, ótimo”, avalia Modernell. Para ele, o consumidor utiliza de forma errônea o cartão. “O cartão é um instrumento para facilitar as compras, conseguir vantagens com as operadoras em bônus, e não para ser utilizado para financiamentos de compras”, ressalta. Com o cartão, o consumidor sente que tem um poder de compra maior. Maior até que a sua renda real. Aí é que começam as dívidas.

Passeio em família

A situação pode piorar se o passeio no shopping for realizado em família. Crianças e centros de consumo não geram boas consequências para o bolso dos pais, na maioria das vezes. “Se a família for passear no shopping, os pais devem conversar antes com as crianças”, alerta Modernell.

Conversar sobre a importância do gasto, sobre as necessidades e utilidades dos produtos e até estabelecer acordos com os pequenos são atitudes que podem deixar não só o passeio menos oneroso como também formar futuros consumidores mais conscientes. “Estabeleça um limite de valor com os filhos para ser gasto no passeio”, aconselha o especialista.

Mas não é só isso. Dar o exemplo, até na hora de consumir, é essencial. “Os pais devem ficar atentos porque as crianças observam o comportamento deles”, diz Modernell. Assim, não adianta falar para o filho sobre a necessidade do consumo e na primeira esquina comprar mais uma bolsa para ficar no armário.

Para Kuniy, assim como para Modernell, o shopping não é lugar para passeios. “Às vezes, as pessoas vão ao shopping pensando em comprar, mesmo que inconscientemente”, afirma.

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