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26/05/2010 - 06h30

Fundos conservadores têm aumentado participação no Brasil em 2010

SÃO PAULO – Quem acompanha bem de perto a composição do patrimônio líquido total da indústria brasileira de fundos deve ter percebido que segmentos considerados mais conservadores, como os fundos de curto prazo e os de renda fixa, mostraram crescimento na sua participação em relação ao PL total, enquanto que outros tipos de fundos, como de ações, têm apresentado trajetória oposta. 

De acordo com os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), os fundos de renda fixa viram suas participações consolidadas no patrimônio líquido total dos fundos brasileiros aumentarem de 26,3% para 27,92% entre o final de 2009 e maio deste ano – segundo dados compilados até o dia 19 deste mês. 

Na mesma base comparativa, o patrimônio dos fundos de curto prazo passou de 3,37% para 4,06% do PL total. Já os multimercados reduziram sua fatia no capital total da indústria de fundos do País em 0,3 ponto percentual, indo para 23,45%.

O cenário atual da economia mundial acaba tendo grande parcela de responsabilidade nessa movimentação. Em meio aos sinais de incertezas emitidos principalmente pelas economias europeias, os investidores geralmente vão em busca de aplicações com rendimentos menos expostos a riscos. Dessa forma, esses “portos seguros” acabam registrando maiores níveis de captação líquida, como mostram os números divulgados pela Anbima. 

De acordo com a associação, dos R$ 47,9 bilhões captados pela indústria brasileira de fundos em 2010, R$ 29,3 bilhões foram destinados para aplicações em fundos de renda fixa, enquanto os fundos de curto prazo respondem por R$ 11,2 bilhões. Já os investimentos líquidos em multimercados somam R$ 2,5 bilhões entre janeiro e maio.

Ações e DI em queda

No sentido contrário desses segmentos de investimento, os fundos de ações viram sua participação em relação ao PL total diminuir de 11,89% para 10,56% nestes cinco meses. Enquanto isso, os fundos DI tiveram uma diminuição de 0,16 p.p. de market share no mesmo período. Nesse segmento, a queda é ainda maior se comparado com a fatia de 15,06% do mercado, registrada em maio do ano passado, o que indica uma retração de 1,66 p.p.

No quesito captação, os fundos DI registram um resgate de R$ 4 bilhões entre o início de janeiro e 19 de maio deste ano.

Já os fundos de ações, mostram certa singularidade em relação a todos os outros segmentos da indústria brasileira. De acordo com os dados da Anbima, apesar da diminuição de sua participação no PL total, a entrada de capital nesses fundos supera os resgates em R$ 2,5 bilhões nos primeiros cinco meses desse ano - ou seja, seu patrimônio líquido aumentou, mas sua parcela em relação ao PL total diminuiu.

Nem só de aplicação vive um fundo

Esse contraste pode ser explicado pela rentabilidade. De janeiro até o dia 19 de maio deste ano, a rentabilidade ponderada - isto é, avaliando o desempenho de cada segmento dessas categorias em relação ao tamanho de cada subcategoria que as compõem - dos fundos de renda fixa, multimercados e de curto prazo foi positiva em 3,95%, 3,39% e 3,16%, respectivamente. No mesmo período, os fundos de ações acumularam perda média ponderada de 6,99%.

O que isso quer dizer? No caso dos fundos de ações, por exemplo, os dados mostram que a captação positiva não contribuiu com o crescimento do market share da categoria, já que o patrimônio consolidado destes fundos sentiu o peso da desvalorização dos ativos em carteira. Ao contrário dos fundos de renda fixa, que veem seu PL consolidado crescer por ambos os canais - captação superavitária e rentabilidade dos ativos em carteira.

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