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27/05/2010 - 15h31

BDR não patrocinado traz empresas como Apple e Google para a BM&F Bovespa

SÃO PAULO – Se pudesse, você investiria em uma grande empresa norte-americana? É inegável que nomes como Apple, Google e Mc Donald´s são atrativos a qualquer investidor do mundo, mas obviamente existem algumas limitações. Hoje, por exemplo, para comprar diretamente ações de empresas estrangeiras ou você tem que procurar as que oferecem ativos no mercado brasileiro ou contatar bolsas de valores no exterior.

Mas a partir de julho, instituições financeiras e fundos de investimento poderão comprar ativos de Apple, Google, Bank of America, Arcelor Mittal, Goldman Sachs, BHP Billiton, Wal Mart, Exxon Mobil, Mc Donald´s e Pfizer, precificados em reais e através da BM&FBovespa, caso um novo produto criado pela bolsa de valores e o Deutsche Bank seja aprovado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Recém anunciados, os “BDRs Nível 1 não patrocinados” são uma variação dos BDRs comuns (patrocinados), já negociados na bolsa. Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) funcionam como os ADRs (American Depositary Receipts); enquanto os ADRs consistem em papéis (recibos) negociados nos Estados Unidos e lastreados em ações de empresas brasileiras, os BDRs são papéis negociados no Brasil e lastreados em ações de empresas norte-americanas.

Patrocinado e não patrocinado?

A principal diferença entre os BDRs patrocinados e os não patrocinados está na instituição depositária, ou seja, a responsável pela emissão e registro dos ativos negociados no País. Enquanto os BDRs patrocinados são emitidos pelas próprias empresas estrangeiras, os não patrocinados são emitidos por uma instituição financeira independente.

Dessa forma, os BDRs não patrocinados não têm ligação com as empresas de origem das ações, que não são obrigadas a divulgar informações ao mercado brasileiro e muito menos em língua portuguesa, como devem fazer as que emitem BDRs patrocinados. A instituição depositária divulga informações principais sobre a empresa e dá o acesso aos comunicados na língua de origem da companhia.

Outra diferença é que, em um primeiro momento, pessoas físicas não poderão adquirir diretamente os BDRs não patrocinados, como ocorre com os patrocinados.

Início

Em 2004, o Deutsche Bank procurou a BM&F Bovespa e sugeriu o novo produto. O diretor da área de custódia do banco no Brasil, Ricardo Nascimento, explicou à InfoMoney que a iniciativa se deu por conta de duas experiências semelhantes e bem sucedidas na América Latina.

Em 1998, o banco iniciou o oferecimento de ativos estrangeiros na Argentina e, em 2003, no México. Atualmente, com 217 papéis na Argentina e 533 no México, essas operações correspondem a algo entre 15% e 20% do volume negociado em bolsa no primeiro país e entre 20 e 35% no segundo, afirmou Nascimento.

“Após tudo isso, chegamos nesse momento ótimo ao Brasil. O País está em um momento ótimo para recepcionar esse novo mercado”, avaliou.

Demanda

Nascimento considera “complexa” a avaliação da demanda brasileira para esse produto. “Temos papéis de primeiríssima linha listados aqui no Brasil. Então, esses papéis que estamos trazendo vão concorrer com esses ativos. Pelo o que vimos em outros países, existe uma curva de aprendizado que demora de dois a três anos”, disse. “Então só vamos poder dizer se os BDRs foram um sucesso daqui a três anos.”

Julio Carlos Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&F Bovespa, lembrou a permissão concedida recentemente para que fundos brasileiros invistam no exterior. “Os fundos estão se operacionalizando e se preparando para investir no exterior e esse produto facilita muito a vida deles. Eles não precisam de nenhum instrumento diferente do que têm para comprar ações aqui no Brasil.”

Nas duas últimas sessões, a BM&FBovespa realizou, em parceria com o Deutsche Bank, um evento para apresentar o produto a corretoras e gestoras de recursos. Questionados sobre a aceitação do público, tanto Nascimento quanto Ziegelmann citaram a forte participação dos presentes, com grande número de perguntas.

Não para por aí

Ziegelmann afirmou que na próxima segunda-feira (31) termina o prazo de concorrência das instituições depositárias para o segundo lançamento de um novo lote de 10 BDRs não patrocinados. No primeiro lançamento, o Deutsche Bank foi escolhido por conta de sua forte atuação na elaboração do produto, mas daqui para frente haverá sempre concorrência.

Nessa concorrência, Ziegelmann explicou que existe uma fase de pré-qualificação das instituições interessadas, de acordo com seu porte e especificações técnicas para oferecer o produto. Entre as classificadas, será escolhida a que se comprometer em oferecer o maior volume de ativos.

Só então, serão escolhidas as 10 empresas para a criação dos BDRs pela própria instituição depositária selecionada. Apesar de não interferir na formação da lista, a BM&FBovespa tem que aprovar os nomes, assim como a CVM. Os critérios, segundo Ziegelmann, são apenas dois: se a empresa tem boa liquidez no exterior e se é listada primariamente (em um primeiro momento, não serão criados recibos de recibos).

A estimativa de Ziegelmann é de que o segundo lançamento aconteça em meados de setembro e, para o final do ano, a BM&F Bovespa avalia abrir nova concorrência para um terceiro lançamento no início de 2011.

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