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28/05/2010 - 10h18

Fundos de ações acumulam perda de participação no mercado em 2010

SÃO PAULO - Os fundos de ações têm registrado uma gradual diminuição na participação do patrimônio líquido total do mercado em 2010. Segundo dados mais recentes da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), o "market share" (participação de mercado) dessa categoria passou de 11,89% no final de dezembro passado, para 10,48% no último dia 24 de maio.

Durante estes quase cinco meses, o PL consolidado total dos fundos brasileiros passou de R$ 1,471 trilhão para R$ 1,501 trilhão, indicando um crescimento de 2,04%. No mesmo período, o total administrado pelos fundos de ações foi de R$ 167,6 bilhões para R$ 157,3 bilhões, uma retração de 6,15%.

Apesar dessa retração, os fundos de ações acumulam um saldo positivo de R$ 1,61 bilhão em captações líquidas em 2010, segundo dados da Anbima.

Se essa categoria de fundo continua atraindo investimentos neste ano, a queda na participação do PL total só pode ter ocorrido por dois motivos: ou as captações das outras categorias existentes no mercado brasileiro foram superiores a ponto de diluir a fatia de mercado dos fundos de ações, ou então a rentabilidade desses fundos tem sido negativa o suficiente para ofuscar essa entrada de investimentos.

No caso dos fundos de ações, ambas as hipóteses são verdadeiras.

1º motivo: maior captação das outras categorias

Não se pode dizer que o fluxo de capital que ingressou em fundos de ações foi forte ou fraco sem uma base de comparação. Levando em conta o PL gerido por essa categoria, percebemos que o R$ 1,61 bilhão captado responde por modestos 1,02% dos R$ 157,3 bilhões atualmente administrados por eles.

Em outras categorias, o ingresso de capital bem foi mais expressivo no período. É o caso dos fundos de curto prazo, cujo saldo positivo de R$ 10,43 bilhões de captação refere-se a 17,34% de seu PL atual.

2º motivo: rentabilidade negativa

Não é apenas a entrada e saída de capital de um fundo que afeta o tamanho do seu patrimônio líquido. A rentabilidade também tem sua contribuição nisso, já que a desvalorização dos ativos presentes em carteira retrai patrimônio consolidado.

É o que percebemos nos fundos de ações. Com base nos números da Anbima, percebe-se que sua rentabilidade ponderada - isto é, avaliando o desempenho de cada subcategoria da classe de fundos de ações em relação à sua importância em termos de PL - acumulada em 2010 mostra-se negativa em 6,75%.

Essa performance poderia estar ainda mais negativa, caso a subcategoria "fundos fechados de ações" - responsável por 36,62% do PL total  da classe de fundos de ações - não estivesse atualmente com uma variação positiva de 1,62%. Contudo, outros segmentos com forte participação, como é o caso dos fundos "ações livre" (19,88% do PL da classe), "ações Ibovespa Ativo" (9,96%) e "ações IBrX Ativo" (7,99%), registram variações negativas de 8,33%, 13,71% e 12,94%, respectivamente.

Vale mencionar ainda as duas subcategorias ligadas ao desempenho dos ativos da Petrobras (PETR3, PETR4). Uma deles é "ações setoriais privatização Petrobras - recursos próprios" cuja participação sobre o PL total da categoria é de 2,88% e sua rentabilidade de janeiro até o dia 24 de maio deste ano mostra-se negativa em 25,28%. Já "ações setoriais privatização Petrobras - FGTS" (3,44% do PL), acumula rentabilidade negativa de 25,1%, de acordo com a Anbima.

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