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31/05/2010 - 11h03

Analistas não veem dados que confirmem excesso de oferta no setor siderúrgico

SÃO PAULO – Apesar de a China ter repetido nos últimos dias que o mercado siderúrgico global apresenta oferta excessiva em comparação à demanda, analistas do setor não constataram ainda dados que corroborem essa avaliação. 

Luciana Leocadio, analista da Ativa Corretora, disse que o setor siderúrgico exibe de fato uma oferta grande e crescente por parte da China, mas a demanda continua forte. “Não há uma tendência clara de que exista excesso de capacidade”, avaliou, ponderando, entretanto, que um cenário de piora da economia europeia pode pressionar a procura por commodities de maneira geral. 

A analista acrescentou que, apesar de a Europa já apresentar efetivamente uma redução na demanda, nos Estados Unidos, ela apresenta recuperação. Além disso, o crescimento dos mercados emergentes tem estimulado a demanda e o Brasil é um exemplo, na visão de Luciana. 

Interesses

No sábado (29), a Cisa (China Iron & Steel Association) declarou que um forte crescimento nas exportações de aço da China será “difícil de sustentar”, por conta de uma oferta excessiva no mercado global. 

“Precisamos avaliar até que ponto isso não pode ser um discurso por parte da Cisa para impedir um novo aumento do minério de ferro, previsto para acontecer em julho”, avaliou Luciana, lembrando do aumento de preços anunciado pela Vale no final do primeiro trimestre. 

Leonardo Alves, da Link Investimentos, afirmou à InfoMoney que também desconhece dados que corroborem a avaliação chinesa de uma oferta excessiva no setor siderúrgico, mas identifica um interesse interno na redução do consumo de aço. 

“O governo chinês já tentou controlar o crescimento da procura interna por aço em outros momentos. O país tem interesse em reduzir o consumo do produto, para desacelerar o crescimento econômico. Um dos meios é dificultando o crédito para investimentos imobiliários, que são a principal fonte de consumo de aço na China”, explicou.

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