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10/06/2010 - 20h07

Fundos: mesmo prevendo volatilidade, gestora aumenta exposição em bolsa

SÃO PAULO – "O futuro parece muito promissor (...). No entanto, provavelmente, o ambiente seguirá turbulento". Mesmo após um mês de maio caótico para o mercado de renda variável - o Ibovespa teve seu pior desempenho mensal desde outubro de 2008 -, sobretudo por conta dos sinais de deterioração fiscal emitidos pelos países europeus, os gestores da Votorantim Asset demonstram certa dose de otimismo em sua carta mensal.

"Nos últimos meses o mercado de ações apresentou bastante oscilação". Os números elucidam essa afirmação: entre a máxima alcançada em abril (71.784 pontos) e a mínima registrada em maio (58.192 pontos), o índice paulista oscilou em torno de 19%. Para a gestora, as preocupações vindas do velho continente foram determinantes para a movimentação negativa das ações.

Porém, os gestores acreditam que essa crise na Europa não terá severas consequências no resto mundo, devendo permanecer restrita aos países do bloco. Baseando-se nisso, suas apostas para a renda variável ganham forças. Novas apreciações do real em relação ao euro também são esperadas.

Retomando participação em bolsa Mesmo esperando que a instabilidade se mantenha nos próximos pregões, a gestora continua apostando em um movimento de retomada. "Para junho, aumentamos levemente nossa exposição em bolsa, em linha com a nossa expectativa de valorização no médio/longo prazo", argumentam os gestores. Eles explicam ainda que no mês passado eles reduziram a participação na renda variável e aumentaram em renda fixa, como forma de proteger a carteira da volatilidade registrada no período. 

"Acreditamos que os fundamentos da economia brasileira continuem favoráveis e no médio/longo prazo os investimentos em ações devem apresentar bons resultados", afirmam os gestores. Além das boas perspectivas de crescimento para a economia brasileira - a Votorantim espera uma expansão de 7% e 4,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) nacional em 2010 e 2011, respectivamente -, há a expectativa de que as ofertas de ações de Petrobras e Banco do Brasil resultem em um forte fluxo de investimentos à bolsa doméstica.

Aliado a isso, os gestores também chamam a atenção para os pontos positivos que a volatilidade nos mercados pode proporcionar aos investimentos. "A elevada volatilidade deve continuar propiciando excelentes oportunidades de entrada ou de aumento de posição", afirmam.

Renda fixa

Quem também deverá se beneficiar do provável fluxo positivo de investimentos estrangeiros no País é a renda fixa. Para a gestora, a expectativa de que a taxa básica de juro continue subindo poderá atrair uma boa fatia deste capital. Vale lembrar que, na última quarta-feira (9), o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic em 75 pontos-base, indo para 10,25% ao ano. Foi a segunda alta consecutiva na taxa de juro.

Contudo, durante o mês de maio, as taxas de juros futuros registraram queda. "A Europa contribuiu para isso, uma vez que o agravamento da crise na região implicaria em arrefecimento da economia e menor necessidade de alta de juros", justificam os gestores.

Contrabalanceando essa instabilidade externa, a forte expansão do Brasil continuará atuando como balanceador, já que o crescimento econômico pode ligar o sinal de alerta sobre a inflação, forçando novas altas na Selic. "O balanço entre esses dois eventos continuará sendo o principal fator para o mercado de juros", conclui a Votorantim.

A Votorantim Asset sugere a posição vendida nos contratos de médio prazo, "caso tenham algum aumento nos prêmios implícitos".

Real: força contra o euro, cautela contra o dólar

Por fim, no mercado cambial, a gestora espera que as incertezas internacionais continuem alimentando a movimentação volátil das cotações entre o dólar e o real. "Assim, a atuação no mercado de câmbio deve ser de cautela", ressalta.

Já diante do euro, o fortalecimento da moeda nacional reflete dois fatores, segundo os gestores: o forte investimento estrangeiro no País - tanto direto quanto em carteira - e o saldo positivo da balança comercial. No segundo caso, o crescimento da economia chinesa e a recuperação norte-americana, ambos combinados com o rali nos preços das commodities, tem sustentado essa apreciação.

Veja abaixo as sugestões de alocação de portfólio para cada perfil de investidor:

Perfil DI Renda Fixa Pré Multimercados Ibovespa Inflação Dólar
Conservador   48%   8% 40% 3% 1% --
Moderado 1   37%   11% 37% 12% 2% 1%
Moderado 2   31%   13% 34% 17% 3% 2%
Agressivo   20%   16% 29% 26% 4% 5%

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