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10/06/2010 - 13h15

Incipiente no Brasil, crédito estudantil pode ser porta de entrada à faculdade

SÃO PAULO – A dificuldade financeira é o principal motivo que leva os brasileiros a desistirem de um curso universitário. O que poucos jovens sabem, no entanto, é que existe uma modalidade de crédito que pode ajudá-los a custear os estudos, mas que ainda é pouco representativa no País.

“O crédito estudantil ainda é muito incipiente e esbarra em um fator cultural: o brasileiro prioriza o financiamento de um automóvel a um financiamento estudantil”, explicou o diretor de Serviços Financeiros da Anhanguera Educacional, Célio Lopes.

Mesmo com as limitações, o crédito estudantil representa hoje cerca de R$ 7 bilhões, sendo que há dez anos ele sequer existia. “Muita gente tinha medo de apostar neste crédito porque achava que podia ter uma inadimplência muito grande”, contou o responsável pelo crédito Pravaler da Ideal Invest, Oliver Mizne. “Demorou um pouco nos modelos que temos hoje, mas é um segmento que vem crescendo bastante”.

Não é à toa. Há dez anos, não havia vagas no ensino superior. Hoje, existem universidades em grande parte dos municípios brasileiros e sempre perto da casa do jovem ou de seu trabalho. “Ele já tem um lugar que pode estudar. O que não tem é condições de pagamento”, destacou Minze.

Como funciona? Os universitários ou candidatos a realizar um curso em uma faculdade têm a opção de fazer um financiamento advindo da iniciativa pública ou privada. A primeira modalidade consegue atingir cerca de 6% dos alunos no ensino superior, enquanto a segunda abrange até 3% deles, segundo o diretor da Anhanguera Educacional.

“O financiamento é interessante porque o estudante pode fazer o curso, pagar um valor baixo e, depois de formado, quando empregado ou quando tiver aumento da renda, ele paga o financiamento”, explicou Lopes. Mizne completa: “São sempre programas baratos, para dar condições do aluno pagar depois de formado, senão vira uma 'bola de neve'”, destacou.

Para se ter uma ideia, as taxas de juros do programa às vezes nem são cobradas. “Existem desde programas sem juros, da própria universidade, até programas privados com juros perto da taxa do consignado”, ressaltou Mizne, em referência aos juros que são os menores do mercado.

Em relação ao prazo de pagamento, no setor público pode chegar a 18 anos de pagamento, enquanto no privado o aluno pode pagar o crédito em até o dobro do tempo do curso.

“Comparativamente a outros produtos do segmento financeiro, a inadimplência é elevada, mas como são produtos incipientes, naturalmente essa taxa vai cair ao longo do tempo. As empresas aprenderam a atuar neste mercado, atualizaram seus modelos de risco de crédito e, com isso, a inadimplência deve cair”, disse Lopes. 

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