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11/06/2010 - 19h28

Embora sem consenso em relação à tendência, analistas apontam para indicadores

SÃO PAULO – Em um mercado tomado por incertezas e pela volatilidade, também os analistas divergem ao prever se a tendência positiva apresentada nesta última semana, em que o Ibovespa subiu 3,13%, poderá perdurar ao longo dos próximos dias.

Para Clodoir Vieira, economista-chefe da Souza Barros, como o ânimo apresentado pelos mercados financeiros globais foi em grande parte impulsionado por notícias econômicas positivas (e pontuais), como o robusto crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro ou das exportações chinesas, dizer que a tendência mudou e que agora é “só alegria” ainda é impossível.

O economista afirma que embora o noticiário econômico carregado possa trazer alta ao Ibovespa, com indicadores como a produção industrial nos Estados Unidos, preços ao consumidor e dados sobre o setor imobiliário dominando a atenção dos investidores, um movimento de realização mais forte não deve ser descartado. "Não estou confiante e ainda vejo o cenário com bastante preocupação, apesar dos números dos EUA", afirma Vieira. 

Já Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Investimentos, é um pouco mais otimista ao prever que os pregões de alta possam prosseguir. Mas para isso é “fundamental” que o noticiário da Europa continue menos carregado, explica e conclui: “A avaliação gráfica do Ibovespa indica que nós temos boas chances de seguir em alta”.

Volatilidade Se é mais difícil concordar em relação à tendência prevista para o índice, por outro lado em um ponto quase todos os analistas são unânimes. “A volatilidade deve continuar”, afirma Clodoir Vieira. Um dos motivos pelo qual aponta para uma possível queda do índice é a cautela dominante no mercado, o que leva o investidor a logo realizar lucros quando a bolsa sobe.

Para Bandeira, o momento realmente exige cuidado, especialmente do investidor de curto prazo, já que a tendência pode mudar muito rápido, ocasionando prejuízos. Em sua opinião, o ano inteiro será de muita volatilidade, assim como foi observado ao longo deste semestre, embora para o final de 2010 projete o Ibovespa em 82 mil pontos. Por outro lado, o diretor destaca que “compras progressivas de boas empresas com horizonte de médio e longo prazo para retorno certamente podem ser realizadas”.

Crise nos EUA é diferente de crise na Europa Outro motivo que justifica o atual momento de bastante cuidado, para o economista-chefe da Souza Barros, é o fato de que as crises de 2008 e de agora são muito diferentes. Quando o epicentro da turbulência era o sistema financeiro dos Estados Unidos, as decisões eram tomadas de forma muito mais centralizada, já que dependiam apenas do presidente do país e do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.

No presente caso, as autoridades europeias são muitas, já que o problema envolve várias nações, e por isso é muito mais difícil o estabelecimento de acordos. Além disso, comenta Vieira, exatamente porque são muitos países envolvidos, o grande temor do mercado é acerca de um possível efeito dominó.

Petrobras: ainda não é dessa vez

No entanto, além da Europa, outro assunto esteve em pauta nesta semana. Na madrugada de quinta-feira (10), o Senado aprovou o projeto de capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4). No entanto, as questões permanecem em montes. Por isso, Clodoir Vieira avalia que só é possível fazer uma recomendação mais equilibrada para os papéis da companhia após a Assembleia Geral Extraordinário, convocada pela estatal para o dia 22 desse mês. “É necessário esperar um pouco”, comenta o economista.

Com essa perspectiva, na visão do economista, ainda não é dessa vez que a Petrobras abrirá caminho para que o Ibovespa deslanche (juntas, as ações ON e PN da companhia têm peso de mais de 13% no índice). Clodoir Vieira afirma que existe o risco de diluição dos acionistas minoritários que não possam subscrever a oferta, já que o mesmo resultado da companhia será distribuído para um número muito maior de acionistas – alguns analistas chegam a falar que a capitalização pode atingir R$ 50 bilhões.

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